
fiz esse desenhinho, planejando continuar outros na mesma linha; pensava também, por outro lado, que eu precisasse de roteirista em parceria.

fiz esse desenhinho, planejando continuar outros na mesma linha; pensava também, por outro lado, que eu precisasse de roteirista em parceria.

é o primeiro da série, que começa aqui, de pares de comidas que dão muito certo; num jantar em Natividade, me surpreendeu.
atrás do próprio rabo
coisas pequenas no dia a dia: sentar-me sempre no mesmo lugar da mesa para comer, usar a mesma colher para mexer o chá mate, comer o mesmo lanche no recreio, no mesmo lugar do pátio; manter fixas na semana as datas de devolução dos livros na biblioteca; numa mesma ordem pentear o cabelo, escovar os dentes e tomar banho; organizar na mochila os livros e cadernos para cima, os livros atrás, cadernos à frente; as cores os lápis e canetas no estojo; tomar o metrô no mesmo vagão, escolher, se livre, o mesmo banco.
Ainda continuam certas coisas assim, que percebo se elas mudaram de lugar.
não é uma boa versão em português para o título original do filme de David Robert Mitchell, The myth of the american sleepover. O mito americano da festa do pijama também soaria estranho para um filme que foge a qualquer lugar-comum do gênero filmes-de-festa (que não deixam de ser bons também) para explorar as pequenas aventuras de um grupo de jovens no último fim de semana antes da volta às aulas: a paixão à primeira vista, a procura por colegas de escola que já estão longe, querer fazer algo simplesmente diferente.
O filme todo é costurado em conversas, em pequenos amores que não acontecem nunca aos pares (ao menos um personagem observa outros dois), com diferenças de tempo e espaço (uns mais ou menos longe da infância), com procuras fracassadas que levam a outra coisa, resultados inesperados.
Tão saboroso quanto um fim de semana de festa, de passeio, que fica a vontade de rever e que ele seja mais visto – que o filme saia, mesmo que timidamente, em circuito.

é ao mesmo tempo a personagem mais importante e a menos importante de todo o filme. Ela é um monte de suspeitas e perguntas que aparecem umas atrás das outras, sem resposta – ou com respostas bem menos ambiciosas que as expectativas. Ela é o pretexto para um passeio sem rumo de tarde, com previsão de chuva, de ônibus, cortando caminho pelo parque, de volta no fim do dia à estação de trem. Passeio cheio de olhares e de conversas sobre nada, depois do qual se volta ao ponto de início.
Foi o primeiro filme que eu vi do Rohmer, no cinema, anos atrás. Depois de rever agora, o passeio continuou assistindo Nadja à Paris, (documentário?) que não me agradou tanto quanto A mulher do aviador, mas traz muito dessa rede de pretextos que levam as pessoas de um ponto a outro da cidade.
no topo de um prédio alto, fazia muito calor. Sol forte, eu me escondia na sombra da casa de máquinas do elevador. Dois senhores, talvez trabalhassem lá, me explicavam o que eu via lá embaixo. Os trabalhos no porto: grandes contâineres, carregamento de peixe, caminhões chegavam e iam embora. Muito óleo; eu perguntava para onde ele ia – direto para o mar? O que eu achava mais desconfortável: estar no alto ou o que eu via lá no chão?
Mesmo dentro do prédio, as mulheres que trabalhavam num grande apartamento colocavam coisas no parapeito: uma tela que eu pintei, por exemplo. Ela poderia cair, ou envergar – eu achei uma melhor posição ali para a minha pintura.
anda desregulando o foco, já faz uns meses. Ainda não levei para o conserto. Fico esperando que seja algo passageiro, que ela vai acertar na próxima foto. E até acerta, quando insisto, quando eu mesma tento um outro ponto de vista. Quando não, me divirto com o efeito fora de tom que sai das coisas – que são, não tem jeito, sempre de outro jeito.
no meio do caderno, para ler depois, anotações de um ciclo de palestras; mais de dois anos se passaram, peguei agora.
Pouca coisa das notas me dá alguma informação precisa – incompletas e lacunares demais. Não sei o que foi dito pelos professores e o que eu mesma pensei. Alguma coisa ali ainda é verdade para mim hoje.