UM PEIXE GRANDE

daqueles de olhos esbugalhados e barbatanas longas mordeu meu dedo. Não sei se foi assim que o pescamos. Colocamos num balde, e ele ficou nadando na vertical. Balde pequeno.

Saí correndo pela Martim Francisco procurando uma loja onde pudesse encontrar um balde maior. Passei em frente ao Fidelino, na porta estavam as mesmas pessoas da época em que estudei. Pensava em Peixe grande, do Tim Burton.

Com custo arranjei outro balde, transparente. O peixe tinha diminuído, estava laranja, mas no balde novo cresceu, escureceu e começou a falar comigo.

Acordando com o despertador vi que esse sonho tem tudo a ver com Ponyo!

A PERSONAGEM DO SONHO

subiu no ônibus; era uma cantora francesa em São Paulo. Começou a cantar “dezesseis” do Legião Urbana e os passageiros começaram a acompanhá-la. Uma outra moça puxa conversa, elas ficam falando muito sobre música. As duas combinam de participar de uma manifestação na avenida Paulista, a favor dos artistas de rua.

A francesa vai de skate e guitarra, sobe a Augusta. Chegando na Paulista, o skate escapa, vai para perto de um cara tocando contrabaixo perto do banco do Brasil. Vários músicos se espalham pela avenida, todo mundo tocando. Parece que a francesa acaba perdendo o skate.

OUTRO ASSIM

igual, do mesmo jeito, de novo: é o que a gente procura nas coisas; algo parecido com outra coisa, que leva a outras coisas parecidas: ver o mesmo tipo de filme, ler um mesmo livro várias vezes, assistir a mesma novela que reprisa. Uma vez li uma crítica de cinema que dizia isso, de maneira negativa: os mesmos tipos de filme hollywoodiano são refeitos por anos e anos. As pessoas continuam a assistir, se divertir e esperar por mais.

O QUE É ADOUBER?

foi o que me perguntaram dia desses; à primeira vista, não me pareceu do francês de todo dia.  Realmente: consultando o dicionário, adouber está nos termos raros.

No vocabulário internacional do xadrez, um jogador diz “j’adoube” para deixar claro ao seu oponente que ele está simplesmente arrumando a posição de uma peça no tabuleiro. Não pretende jogar com ela (0u ao menos estaria tomando tempo, acho eu).

Adouber era acomodar as peças, arrumar, ornar um cavaleiro para o combate. E veio daí para o português a palavra adubo, num sentido que não existe para o francês: aquilo que se usa para conservar, fertilizar ou melhorar alguma coisa.

OS POST-ITS

eram uma coisa meio supérflua: para que colar papel em cima de outro papel? Por que não escrever logo – sublinhar e marcar diretamente com lápis ou caneta – o que quer que seja?

Já faz um tempo meu hábito de leitura mudou: post-its se acumulam entre as páginas de alguns livros; marcadores coloridos me fazem lembrar como eu li. E em conjunto, deixam bem claro, no livro fechado, que ele será relido.

(dedicado ao Cícero)

O QUE É DÉTAIL?

do francês; há correspondente em várias outras línguas europeias: detalhe, detail, detalle, detay, detagglio, Detail, detaliu, detalje, Dettall, detalj, детали, детаљ…

Composto por uma base que veio do latim tardio, taliare. Tailler é cortar em peças um produto, para colocá-lo à venda; esculpir, confeccionar, dar forma; dividir as cartas do baralho para começar o jogo.

Détail é a minúcia, o pormenor, a particularidade, aquilo a que damos mais atenção. Pelo contrário, pode ser algo insignificante, sem importância, a ser rejeitado.

Sempre parte de um todo mas, por sua diferença, é separado do restante – do qual guarda uma semelhança.

OS TRÊS REIS MAGOS

eram personagens estranhos: como eram magos se na religião não podia haver magia?

Ficavam mais longe que as vaquinhas, o boi, José e Maria, e o pastorzinho com uma ovelha, no presépio, olhando de canto a movimentação de dezembro. A partir do natal, iam chegando cada dia mais perto da manjedoura. Dia 6 de janeiro chegavam, mas já era hora de recolher todas as pecinhas e encaixotar a decoração, pra tudo recomeçar lá no final do ano.