OS AGENTES DO DESTINO

não são os personagens principais do filme, mas um grupo que os observa, que os controla: é graças a eles que tudo vai acontecer como previsto, como escrito no livro.

No entanto, esses personagens querem outra coisa, mesmo que leve tempo, mesmo que leve o filme todo, que o filme acabe justamente depois de conseguirem convencer que a história deles vale a pena.

QUASE NO FIM

do filme, dois personagens se encontram: comentam a história em quadrinhos que é desenhada durante o filme. A personagem que leu a história pergunta pro autor: – o cientista que você desenhou é o seu pai? Ele responde: – não, isso é só uma história. Você está tentando encontrar correspondências.

O mesmo acontece com quem está assistindo ao filme, que fica se perguntando: onde está John Cameron Mitchell dentro desse buraco de coelho?

PEGAVA UMA CÂMERA

já velha, guardada um tempão na gaveta; vai ver ela esperava isso: depois de muito tempo, comprar um rolo de filme e fazer toda a cerimônia antes de começar a tirar fotos: abrir a embalagem do rolo, a caixinha de plástico, o cheiro da película, puxar a pontinha, encaixar nos dentes de um lado, do outro o rolo cheio ainda; fechar a tampa, sem deixar muita luz entrar, por enquanto.

Eu acordei assim, achando muito viável, muito próximo de mim, esse sonho, eu com uma câmera pronta pra sair na rua e tirar fotos. Todo o mistério das fotos até elas serem reveladas.

ESTÁVAMOS NUM PRÉDIO

grande, por onde era possível passear; era aqui em São Paulo. Foi ficando de noite, subimos os andares, acompanhando uma excursão (de japoneses, ao que tudo indica). Uma professora era a guia, contando a história de alguém que fugiu da segunda guerra.

Chegamos ao topo, subindo de mãos dadas. Muita gente ali – moradores, visitantes? – conversavam, deixavam o tempo passar.

O que importava era o céu, muito aberto, cheio de estrelas que rodavam. Eu me perguntava como toda essa cena seria possível.

UM VÍRUS ENTROU

no meu computador. Sem saber exatamente como, ele começou a se multiplicar. Eram ícones com carinhas de personagens de uma história, alguns ainda transparentes, prestes a nascer: todos eles se organizavam para dissolver os arquivos do meu computador. Lançaram a ameaça – eu tinha pouco tempo. Um amigo resolve me ajudar e encontra o cronograma do grupo de vilões-vírus. Faltando alguns segundos para a dissolução total, conseguimos apagar os ícones. Eu termino o sonho respirando aliviada.

DESCIA A RUA

Paim e no meio das demolições todas descobriram uma igrejinha no fundo de uma casa, em estilo neogótico. Ela seria demolida também? Não pude saber. Só via subindo a rua uma procissão grande, com muitas crianças. Mais para baixo, outras crianças não participavam da procissão, mas jogavam bola. Parecia que quem acompanhava a procissão era rico, quem brincava de bola não.