e assim vamos indo, de um degrau a outro na escada, que começou não sabemos onde e leva a também outro lugar que desconhecemos.
Autor: anameliacoelho
MEDUSA

da Annie Lennox, foi o primeiro CD que compramos em casa, junto com o aparelho. Era um lançamento na época; No more i love you’s era trilha de novela? Ainda hoje ouvimos muito: agrada a todos.
Os covers do disco foram escritos por homens – isso poderia explicar o título, Medusa. Mesmo que no clipe de Why (do disco anterior) ela esteja mais próxima de uma Medusa, montada e colorida, o encarte cinza, em que ela aparece com os cabelos curtos de costume e o nome escrito à máquina de escrever na testa também intriga. Os cabelos em forma de serpente viraram letras e, tão cheia de cores antes, a Medusa agora toma o tom de pedra.
O QUE É ROUTE?
palavra aparentemente muito simples: caminho, trajeto, estrada. Pode opor-se a caminho, no sentido em que a route é algo planejado, demarcado oficialmente, sinônimo de estrada. O adjetivo derivado, routier, é equivalente ao nosso rodoviário. Logo, temos transport routier para transporte rodoviário; gare routière para a nossa rodoviária, o terminal rodoviário (rodoviaire em francês não existe).
Outro derivado de route, routard: aquele que viaja com poucos recursos, o mochileiro, hitchhiker. A palavra é patenteada em francês, por um dos criadores do famoso Guide du routard.
De route também vem routine, um caminho frequente.
A etimologia pode desconcertar: route, assim como rota, vem do latim rupta, caminho aberto, particípio passado no feminino do verbo rumpere, romper. Assim, rota (estrada) divide sua origem com roto (rompido, danificado).
VIA NO ESPELHO
umas manchas estranhas no rosto. Algumas pareciam desenhos, reunião de pintas. Elas ficavam piores com o passar do tempo, me davam medo. E parecia que anos se passaram no sonho. Eu voltava ao espelho e as marcas tinham mudado de cor, de tamanho; mantinham-se todavia no mesmo lugar.
Estavam ali para me fazer lembrar quem eu sou, as coisas que eu fiz.
BARBEIRO MUDOU-SE

hoje pela manhã.
SOBRE O QUE

os peixes ficam tanto conversando entre si?
MAIS DUAS CASAS


indo abaixo na rua Paim.
A MÚSICA FAZ
o que ela diz:
– Ando pela rua, cantarolando uma das suas músicas. Eu só sei um versinho lá do meio, e me dá vontade de ouvi-la de novo, de novo e de novo. Todos os dias eu ouço a sua música, agora, todo dia, o dia todo. Aí eu fico cantarolando a música, andando.
Eu só sei um versinho lá do meio, e me uma dá vontade ouvi-la de novo, de novo e de novo; de novo, de novo e de novo…
O MÊS DE MARÇO

já foi, em outros tempos, o primeiro do ano; acaba a dureza do verão e do inverno, as estações brandas começam. Depois de fevereiro, mês de morte e purificação, março tem esse nome porque assinala o momento em que se parte para a luta.
O PASSAPORTE NOVO
tinha saído; fui buscar o meu num guichê.
A senhora me entregou o passaporte, muito gentil; e junto com ele vários pequenos papéis – como aqueles comprovantes de votação que a gente tem que ir acumulando eleição após eleição. Cada papelzinho daquele deveria ser entregue em países diferentes: uns para a Dinamarca e o resto da Escandinávia, outros para os países asiáticos, cada grupinho de uma cor diferente:
– Tome cuidado para não perdê-los; esses tíquetes são muito importantes – dizia a senhora.

