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OUTRO ASSIM

igual, do mesmo jeito, de novo: é o que a gente procura nas coisas; algo parecido com outra coisa, que leva a outras coisas parecidas: ver o mesmo tipo de filme, ler um mesmo livro várias vezes, assistir a mesma novela que reprisa. Uma vez li uma crítica de cinema que dizia isso, de maneira negativa: os mesmos tipos de filme hollywoodiano são refeitos por anos e anos. As pessoas continuam a assistir, se divertir e esperar por mais.

O QUE É ADOUBER?

foi o que me perguntaram dia desses; à primeira vista, não me pareceu do francês de todo dia.  Realmente: consultando o dicionário, adouber está nos termos raros.

No vocabulário internacional do xadrez, um jogador diz “j’adoube” para deixar claro ao seu oponente que ele está simplesmente arrumando a posição de uma peça no tabuleiro. Não pretende jogar com ela (0u ao menos estaria tomando tempo, acho eu).

Adouber era acomodar as peças, arrumar, ornar um cavaleiro para o combate. E veio daí para o português a palavra adubo, num sentido que não existe para o francês: aquilo que se usa para conservar, fertilizar ou melhorar alguma coisa.

OS POST-ITS

eram uma coisa meio supérflua: para que colar papel em cima de outro papel? Por que não escrever logo – sublinhar e marcar diretamente com lápis ou caneta – o que quer que seja?

Já faz um tempo meu hábito de leitura mudou: post-its se acumulam entre as páginas de alguns livros; marcadores coloridos me fazem lembrar como eu li. E em conjunto, deixam bem claro, no livro fechado, que ele será relido.

(dedicado ao Cícero)

O QUE É DÉTAIL?

do francês; há correspondente em várias outras línguas europeias: detalhe, detail, detalle, detay, detagglio, Detail, detaliu, detalje, Dettall, detalj, детали, детаљ…

Composto por uma base que veio do latim tardio, taliare. Tailler é cortar em peças um produto, para colocá-lo à venda; esculpir, confeccionar, dar forma; dividir as cartas do baralho para começar o jogo.

Détail é a minúcia, o pormenor, a particularidade, aquilo a que damos mais atenção. Pelo contrário, pode ser algo insignificante, sem importância, a ser rejeitado.

Sempre parte de um todo mas, por sua diferença, é separado do restante – do qual guarda uma semelhança.

OS TRÊS REIS MAGOS

eram personagens estranhos: como eram magos se na religião não podia haver magia?

Ficavam mais longe que as vaquinhas, o boi, José e Maria, e o pastorzinho com uma ovelha, no presépio, olhando de canto a movimentação de dezembro. A partir do natal, iam chegando cada dia mais perto da manjedoura. Dia 6 de janeiro chegavam, mas já era hora de recolher todas as pecinhas e encaixotar a decoração, pra tudo recomeçar lá no final do ano.

POR TELEFONE

fiquei horas e horas conversando com um amigo, como há muito tempo não faço. Durante a ligação pensei logo no preço que ia ficar, um tanto caro, era celular. Isso era uma boa razão pra encurtar o papo. Mesmo assim continuamos, falando não imagino o que. Como num filme, era possível ver as duas pessoas que falavam ao telefone, em cada canto da cidade. Mesmo distantes, nós dois estávamos num parque, andando.

A minha grande curiosidade é saber exatamente do que tanto falávamos.