O BLW, NOS TRÊS PRIMEIROS MESES

foi uma experiência muito rica para nós. Francisco já tinha curiosidade em pegar nos alimentos, nos talheres e copos sobre a mesa.

Começamos com banana. As primeiras engolidas são estranhas, mas não tivemos nenhum engasgo forte! Os pedaços grandes ou que ele não consegue engolir a língua se encarrega de colocar pra fora.

Como já disse no primeiro post sobre blw, esse método prevê muita sujeira: mesa, roupa, cadeira, chão… em todo lugar vai parar um pedaço de comida. Muitas vezes é melhor ir direto pro chuveiro depois da refeição. Paciência também é muito importante! A carinha feliz dele provando os alimentos compensa o esforço.

Talvez não lembre de tudo, mesmo assim vale listar algumas coisas que o Francisco experimentou: banana, pêra, maçã, mamão, pêssego, ameixa fresca e seca, damasco fresco e seco, abacate, kiwi, melão, abacaxi, morango, framboesa, cereja, manga, laranja, mexerica… entre as frutas. De resto: abobrinha, tomate, cenoura, berinjela, pimentão, batata, aspargo, mandioca, ervilha, cebola, alho, alface, rúcola, espinafre, arroz, lentilha, quinoa.

Frutas são mais fáceis de servir. Ainda sinto muita necessidade de aprender a cozinhar bem, condimentar de um jeito gostoso sem apelar pro sal. Cozinho a vapor os legumes, asso quando possível, com óleo de coco ou azeite. Compramos orgânicos maior parte das vezes.

De laticínio só iogurte natural, puro, mesmo assim super pouco, menos de uma colher de chá no café da manhã, quando ele demonstra interesse. Com o tempo, quero aprender a fazer iogurte em casa.

Até agora, nada com farinha de trigo, açúcar ou industrializados. Se oferecem, recusamos.

Tudo legal nesses primeiros três meses de introdução alimentar. Depois dos 9 meses, nos deparamos com alguns limites: coisas como espinafre, arroz, quinoa, lentilha, grão de bico são difíceis de pegar. Dizem que se deve esperar que o bebê desenvolva o movimento de pinça com os dedos. Mas eu fico aqui me perguntando se eu não poderia oferecer com uma colher…

O Francisco desenvolveu seu gosto; reconhece de imediato uma banana, uma fatia de melão, uma cenoura. Mas também quer variedade. Seu apetite e interesse pela comida ainda não é constante. Tem vezes que come muito, em outros momentos não aceita nada. Ele também se interessa muito pelas coisas que nós comemos e não podemos lhe dar.

A partir dos nove meses do Francisco meus desafios são: pesquisar receitas de comidinhas alternativas, que fujam dos laticínios, glúten e açúcar; integrar mais o Francisco nas refeições; variar o cardápio (muitas vezes sirvo tomate ou cenoura pela rapidez, por exemplo). Em suma, aprender muito sobre cozinha e comida.

EU NÃO SEI COMER

acho que nunca soube; quando me dei conta disso, anos atrás, veio logo um pensamento: e se não precisássemos nos alimentar para viver? seria mais fácil?

Parecia que tudo o que eu comia não era bom; que escolher e entender sobre alimentação eram coisas bastante difíceis. Eu entendia que comer bem era fundamental para uma boa saúde. Revendo minha história, buscava um caminho que valesse a pena seguir.

Fui aquela criança que não comia “nada”. Magrinha e muitas vezes doente, lembro que gostava de arroz, gema mole com pão, banana e doces. Até colheradas de açúcar puro eu comia. No pré, uma “tia” me enfiava goela abaixo ovo cozido e feijão na hora do almoço. Talvez nunca me esqueça do quão desagradável era ser pressionada a engolir duas coisas que até hoje eu não gosto de comer.

Minha mãe se preocupava, tentou várias coisas: comprou uma centrífuga para fazer suco de cenoura. O bagaço engrossava o molho de tomate. Também colocava água de beterraba na gelatina.

Massas, pão, bolacha, gemada, esfiha, sorvete… era pra isso que eu dava atenção. Era bem gordinha entre 8 e 14 anos. Depois fui emagrecendo naturalmente: tomei gosto por caminhar, quando comecei a trabalhar aos 15 perdi mais uns quilos.

Por conta própria, nessa época, deixei de lado refrigerantes e embutidos. Percebia que faziam mal.

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Passei por oscilações de peso, mesmo que sutis. Atividade física? A partir dos 20 anos, fiz de tudo um pouco: hidroginástica, ioga, tênis, boxe, academia, dança, curves, kung fu… mas nada além de seis meses. A prioridade foi sempre trabalhar e estudar. O corpo e a saúde ficavam em segundo plano.

Engordava e emagrecia sem muito controle. Os doces, como sempre, eram muito presentes, mesmo que eu tentasse incluir alimentos saudáveis. Cereais, biscoitos integrais, ovomaltine, yakult e leites de soja me ludibriavam: ué, não fazem bem à saúde? — pois é, como essas comidinhas cheias de açúcar nos enganam…

Um outro elemento entra com força: cafeína. Expresso, capuccino ou chá mate — com algum doce por perto — faziam a dor de cabeça ir embora e davam energia pra enfrentar as aulas.

Doentinha quando criança, tinha rinite, amídalas inflamadas, pneumonia, sinusite… tudo tratado com antibiótico, xarope, rinosoro. Resultado: sistema imunológico bem fraco. Depois dos 20, vieram enxaqueca, gastrite, alergias de pele, acne, varizes, micose, bruxismo… Foi quando me enchi dos consultórios tradicionais e procurei acupuntura, iridologia, homeopatia. Parei com carne, salvo peixe. Mas ainda tinha tanto a melhorar. Eu procurava, procurava…

A história é longa. Por ora, com a gravidez e a vida com o Francisco, a minha afinidade com as terapias alternativas só aumenta — porque buscam ver o indivíduo por completo, dão mais valor ao processo do que ao resultado, promovem mudanças de atitude.

Além disso, não quero que o Francisco viva o que eu vivi. Que a minha experiência sirva de aprendizado para mim mesma como mãe, ao menos para guiá-lo em seus primeiros passos.

Por fim, ainda não sei comer; mas que eu possa sempre aprender a comer melhor.

10 DE ABRIL: SEIS SEMANAS

sem comer alguns alimentos que até então eram bem presentes no meu cotidiano: açúcar refinado, mel, farinha de trigo (o que inclui massas, pães, biscoitos, até mesmo integrais, gérmen de trigo), aveia, leite de vaca e derivados. Se a lista já parece bem grande, acrescento: atum, camarão, lagosta e frutos do mar. Faz uns anos deixei de comer carne (vaca, frango, porco) mas continuo a comer peixe (quem sabe um dia viro vegetariana de verdade…). Nada de álcool ou bebidas com cafeína (isso também por conta da amamentação).

Sem todas essas coisas, o que estou comendo? Frutas frescas e secas, verduras, legumes, iogurte e queijo feta (exceções dos laticínios), oleaginosas. Além disso, batata, quinoa, inhame, ervilha, lentilha, grão de bico, linhaça, polenta, semente de girassol, gergelim. Até pipoca eu posso comer.

Parece um tanto difícil. Mas é bem possível. Faz uma baita diferença no cotidiano. Deixar de lado alguns costumes, que mais pareciam rituais: pão com manteiga e mel, a facilidade de se abrir uma lata de atum ou comer um cereal com leite, a pizza no fim de semana, os doces que sempre fizeram parte do dia.

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Mudar de alimentação também muda o relacionamento com o mundo: é dizer não quando alguém te oferece carinhosamente um chocolate, um pedaço de bolo para acompanhar o chá. É ter que ignorar 80% das prateleiras do supermercado, visto que quase tudo é feito de açúcar, farinha de trigo ou algum derivado de leite de vaca. É ter que comprar alguma coisinha quase todo dia, porque frutas e legumes precisam ser frescos. Deixamos de lado aquela compra grande quinzenal, encher a geladeira, para fazer comprinhas pequenas.

Gasta-se mais dinheiro? Depende. Come-se menos e melhor em qualidade. Minha mãe diz muito: melhor gastar no supermercado e na feira do que na farmácia!

Aí aparece a razão para essa mudança alimentar: a saúde. Estou fazendo um tratamento alternativo, para recuperar o sistema imunológico. O metabolismo também estava baixíssimo: numa escala em que 100 é o normal, o meu estava em 27 (!) um mês atrás! Falarei mais em outro post. Por ora, estou me sentindo muito bem com a nova rotina: aprendendo coisas diferentes na cozinha, a digestão está bem mais rápida, estou me sentindo mais disposta e menos estressada, sem aquelas eventuais dores de cabeça sem explicação. Isso porque, acima de tudo, eu quero mudar.

Hoje é o dia de retorno à consulta, para verificar os efeitos dessa mudança e saber quais os próximos passos a seguir.

Importante: esse post não é nenhum guia alimentar, mas o relato de uma experiência pessoal. Estou seguindo um tratamento, acompanhada por uma especialista. Cada pessoa tem seu perfil, necessidades e características que devem ser levadas em conta quando se trata de alimentação. A quem lê, caso interesse, aconselho que procure orientação para mudar a dieta.

O QUE COMER DURANTE A AMAMENTAÇÃO?

essa pergunta me vinha à mente todo o momento, nos primeiros dias. Eu já sabia que o sabor do leite materno muda em função daquilo que a mulher come, mais doce, mais salgado. Além disso, se o alimento prende ou solta mais o intestino, se provoca mais acidez, eram detalhes que eu tinha ouvido falar. A parteira, por exemplo, logo me disse para eu não tomar suco de laranja, ou poderia provocar uma diarreia no Francisco; nem poderia comer pêssego, damasco ou ameixa, porque dariam dores de barriga. Com o passar dos dias, percebia que uma cólica vinha logo pela manhã — um incômodo antes de fazer cocô. Ele acordava reclamando de dor e se contorcendo. Isso era uma razão e tanto para ficar atenta ao que eu comia.

Outro fator: batia uma fome grande, muitas vezes ao dia. Era uma fome mais forte do que aquela da gravidez. Eu já acordava na madrugada para ir comer algo, quando grávida. Amamentando, então, virou uma regra.

Agora, aos quase seis meses de amamentação, essa super larica já diminuiu (acredito também que era um pouco de ansiedade, confesso…). Mas, nos primeiros meses, eu comia muito e, ao contrário do que se espera — que amamentar em livre demanda faz a pessoa emagrecer muito rápido — não perdi um quilo sequer até o momento. Somente depois que o Francisco começar a desmamar (sabe-se lá quando, é coisa pra nós dois decidirmos) é que vou começar a pensar em comer menos, para perder os quilos da gravidez.

Voltando ao início, quando eu me perguntava o que seria ideal comer: naquele momento, não conhecia esse texto, publicado no gva (grupo virtual de amamentação) do facebook. Aliás, vale muito a pena entrar no grupo para ter acesso a vários textos sobre amamentação. Recebi uma lista da casa de parto, bem simples, que vale a pena compartilhar aqui:

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– comer alimentos com pouca gordura e pouco sal (eu praticamente tirei o sal da comida, tempero levinho com manjericão, orégano, azeite de oliva); preferir integrais.

– evitar: feijão, vagem, couve flor, ervilha, repolho, alho poró, pimentão, cebola, aspargos, alho; entre as frutas, abacaxi, morango, laranja, pêssego, damasco, ameixa, uva, limão, nem os sucos dessas frutas.

– o que comer? beringela, couve de bruxelas, cenoura, beterraba, espinafre, abóbora, abobrinha, tomate, alface; dentre as frutas, maçã (cozida ou assada de preferência) banana, pêra, amora, framboesa, kiwi.

– desde a gravidez, deixei de lado o café, chás com cafeína, sucos industrializados; doces vou tentando evitar!

– água, sempre, e principalmente durante a mamada.

– quinoa; não estava na lista que recebi, mesmo assim estamos investindo muito nela! eu cozinho simples, na água (400g para 1 litro de água), depois vou adicionando outros legumes, peixe, tempero; rende para quase todos os almoços da semana. trigo ou lentilha eu percebi que davam mais cólica no Francisco, por isso vamos consumindo mais moderadamente.

Procurando na internet, não se encontra um consenso a respeito da questão. De qualquer maneira, é interessante ficar de olho no que se come. Tenho observado, comigo e com o Francisco, que há uma relação entre o que como e sua digestão. Mesmo já com seus cinco meses e um intestino mais desenvolvido, ele sente mais dificuldade pra digerir meu leite depois de eu ter comido algo mais pesado. É uma coisa para acompanhar, caso a caso.