DOS DISCOS DAS MANHÃS

de sábado e domingo, alto na vitrola, esse ocupa um lugar central. Era daqueles que agradava tanto meu pai, como minha avó. E a mim, essa capa preta, o traço branco, o olhar tranquilo e ao mesmo tempo inquieto, sentada na cadeira de vime que poderia estar no nosso quintal. Devia saber que era uma cantora já morta, meio mito. As cordas (e ela não tinha anos antes manifestado contra a guitarra elétrica? – me pergunto agora) pareciam levar a cantora para o espaço, num céu sem estrelas, como a capa preta do disco, em meio às manhãs de sol dos finais de semana  – cantando “sou caipira pirapora” com o sino do trem saindo do túnel.

HOJE EU QUERO SAIR SÓ

o clipe dessa música saiu bem na época em que eu vim passar férias no Rio com a família. O colorido do centro da cidade me encantava, era um outro ar, mesmo que parecido, diferente do centro de São Paulo que eu gosto tanto.

Era julho, tinha Copa do mundo como teve este ano. Uma noite eu liguei pro Teleguiado, aquele programa com o Cazé, ele me atendeu. Sempre tinha pensado em pedir o ‘Devil’s haircut’, do Beck; mas como era copa a gente precisava pedir clipes de músicas brasileiras. Então não teve outro.

Tanto o Beck como o o Leninne estão em seus clipes andando pela cidade.

A letra também me convinha um tantinho, lá em 1998. Hoje talvez um pouco mais do que antes.

DEIXA

pra lá, não pega, não leva agora. Você precisa mesmo disso? Posso ir atrás depois, mais tarde. Agora não, assim tá bom, como está. Calma. Não é pra gritar. Não precisa chorar. Não importuna, você está enchendo o saco. Não tou afim de falar. Reclama menos das coisas. Ainda tem tempo. Amanhã é melhor, hoje não. Deixa eu falar, não estressa. Você não sabe como é. Pra que sair correndo? Ela é quem sabe. Você quer controlar tudo. Você não tem ideia de como é difícil. O que você tem a ver com isso? Os incomodados que se mudem. A vida não é do jeito que você quer.

COMO APAGAR O SOM

de uma motosserra que está cortando árvores na janela do quarto, nos momentos em que se levanta da cama?
Ajuda ouvir esse musiquinha tão linda, que eu não canso de repetir!

O grupo, Tante Hortense, esteve aqui em São Paulo ano passado e ficou uns meses hospedado pelo grupo do Zé Celso. Apresentaram-se no Teatro Oficina, renovando a mistura Brasil-França, que às vezes pode ser muito chata, mas que com eles não foi. A linha de ônibus 531, sobre a qual a música fala, não existe no Rio.