ERA UM TERREMOTO

mas o terremoto aconteceu enquanto eu estava dormindo; sonhava e o sonho virou pesadelo.

Um pesadelo dentro do qual alguém estava por perto, mas eu sofria muito, não controlava meu corpo. A sensação era boa, ruim, difícil: estava perto de morrer, talvez.

Acordei doente. Pensei: o pesadelo me deu o sinal. Só depois soube que o que meu corpo sofria era a terra toda que se movimentava.

O SOL NASCIA

num sonho desta semana. No meio de uma paisagem marrom escura, surgia o sol laranja-amarelo. Rápido, ao lado, estava a lua, muito grande, com os seus desenhos na superfície. Só assim era possível distinguir o sol da lua. Porque os dois estavam com a luz muito parecida. Até dava pra desconfiar se o que acontecia não era o contrário – se não era o sol que refletia a luz laranja-amarela da lua.

ESTAVA NUMA ALDEIA

como a do Astérix, devastada pelas enchentes dos últimos dias. Uma professora tinha um castelo por perto, dava instruções a todos. Fiquei encarregada de enviar uma mensagem para um povoado vizinho (ou seria realmente num acampamento dos romanos?).

Peguei uma biga; os cavalos estavam muito desorientados; ficamos travados na lama; depois deslizamos tão facilmente no chão molhado que perdemos o controle e batemos numa árvore.

UM PEIXE GRANDE

daqueles de olhos esbugalhados e barbatanas longas mordeu meu dedo. Não sei se foi assim que o pescamos. Colocamos num balde, e ele ficou nadando na vertical. Balde pequeno.

Saí correndo pela Martim Francisco procurando uma loja onde pudesse encontrar um balde maior. Passei em frente ao Fidelino, na porta estavam as mesmas pessoas da época em que estudei. Pensava em Peixe grande, do Tim Burton.

Com custo arranjei outro balde, transparente. O peixe tinha diminuído, estava laranja, mas no balde novo cresceu, escureceu e começou a falar comigo.

Acordando com o despertador vi que esse sonho tem tudo a ver com Ponyo!

A PERSONAGEM DO SONHO

subiu no ônibus; era uma cantora francesa em São Paulo. Começou a cantar “dezesseis” do Legião Urbana e os passageiros começaram a acompanhá-la. Uma outra moça puxa conversa, elas ficam falando muito sobre música. As duas combinam de participar de uma manifestação na avenida Paulista, a favor dos artistas de rua.

A francesa vai de skate e guitarra, sobe a Augusta. Chegando na Paulista, o skate escapa, vai para perto de um cara tocando contrabaixo perto do banco do Brasil. Vários músicos se espalham pela avenida, todo mundo tocando. Parece que a francesa acaba perdendo o skate.

POR TELEFONE

fiquei horas e horas conversando com um amigo, como há muito tempo não faço. Durante a ligação pensei logo no preço que ia ficar, um tanto caro, era celular. Isso era uma boa razão pra encurtar o papo. Mesmo assim continuamos, falando não imagino o que. Como num filme, era possível ver as duas pessoas que falavam ao telefone, em cada canto da cidade. Mesmo distantes, nós dois estávamos num parque, andando.

A minha grande curiosidade é saber exatamente do que tanto falávamos.

UM SHOW TERMINA

e ficamos alguns minutos esperando o bis. Os amigos que estavam comigo resolvem ir embora. Fazem planos de viagem, eu começo a lembrar de um restaurante no Rio de Janeiro, o nome me foge, onde a sopa é muito boa.

Fico sabendo que tem alguém me esperando fora da sala. Subo as escadas, elas são muitas. Quando chego lá fora, a pessoa que me esperava já tinha ido embora – ou na verdade não estava me procurando.

ERA UM CARRO

de modelo novo, fabricado por um grupo de estudantes de engenharia veganos. Eles me oferecem um, para testar; digo que não sou vegana; eles querem justamente conquistar outros públicos. Aceito dirigir o carro, de cor marrom, meio jipe, meio lada. Coloco na minha vaga do prédio, os vizinhos estranham o visual. Pergunto aos moços veganos como foi fabricado, que combustível aceita.  Só sabem dizer o preço: muito mais caro do que eu imaginava.

Então vamos todos a uma lanchonete vegana na rua da Consolação, as comidinhas são muito boas. Os veganos concordam que é melhor não ter carro por enquanto.

FIQUEI SURPRESA

com a história do Tetris, que eu desconhecia: a URSS caindo, um pesquisador cria o jogo, que se espalha sem controle, direitos ou patentes. Mesmo quando o jogo passa o outro lado da cortina de ferro, acordos são furados, contratos não são cumpridos, até que um golpe certeiro da Nintendo derruba todos os outros concorrentes.

A história pode ser menos simples do que o jogo – por conta tanto de uma coisa como de outra sonhei esta noite com pecinhas caindo, esperando um encaixe com outras.

MISTURANDO TUDO

Hannah e suas irmãs, Minha noite com ela, jogo de corrida de carros nas cidades, Waking life, A origem, Alta fidelidade, 500 dias com ela, Amélie Poulain, Seattle nos anos 90, terremotos em 1910, pontes e mais pontes foram criando um sonho assim: eu, e mais alguém, saíamos por San Francisco ensolarada. Primeiro uma loja de LPs, depois a gente corria para uma loja de móveis e artigos de casa. Quando me dava conta, voltava pra rua, muito reta, mas cheia de subidas e descidas bem sutis. O celular me acorda – e percebo que meu sonho era uma vontade de voltar no tempo.

(Sobre Hannah…, que passou ontem na tevê: não é por acaso que Mickey (Woddy Allen) entra na loja de discos atrás de Holly (Diane Wiest). Ela estava justamente na seção de jazz, que dizia antes não gostar…)