PARECE MESMO

que a minha memória é muito fraca.

Conversando com o Luís no telefone, ele começa a falar do começo do namoro. De alguns emails que a gente se escrevia, de coisas que eu tinha escrito. Não lembraria nada disso sozinha, se não fosse ele insistir e sair procurando esses emails, que não devem mais estar comigo, mas perdidos em algum hd que eu não uso mais, assim como alguns trabalhos da faculdade, da mesma época do começo do namoro, em 2003.

desenho_rapido

Ele me mandou esse desenho que eu fiz. Era uns dos que eu fazia naquele tempo. Parece um clima meio Retalhos, que o Luís também terminou de ler dias atrás.

Alguns dos sonhos de hoje:

* O Gustavo não se chamava Gustavo. O nome verdadeiro, dos documentos, era Gott. O pai dele queria dar um nome bem alemão. No sonho não vimos isso, mas ao acordar fui atrás da palavra Gott e vi que signitica Deus em alemão.

* O ortodontista tinha mudado de método e de consultório. Ele tirava as borrachas do meu aparelho muito rapidamente, como se fosse um acrobata ou como um vampiro — haha será coisa que veio de eu ter assistido Crepúsculo ontem na tevê?

* Uns alunos largaram na sala de aula uns livros, me senti responsável em devolvê-los à biblioteca de onde eles tinham tirado. Ficava num centro cultural criacionista, o nome terminava em ista e tinha algo de religioso. Fica criacionista. Como várias ordens religiosas de diversas origens, essa ficava na Liberdade. Era um imenso ex-hospital, com alas numeradas, tipo 2SB-11H, a gente tinha que andar por alas enormes, onde ficavam aparelhos de tevê, lanchonetes, espaços para aulas, a biblioteca era grande e tinha livros que estavam fora de ordem. Tinha algumas histórias em quadrinhos do Astérix. Por Tutatis !

FUI DAR UMA SONECA

e antes de acordar com frio eu sonhei que a Karen tinha feito um vídeo de uma aula da ginástica. Ela era aluna da aula de ginástica, algo meio recreativo, meio de dança. O sonho era simplesmente esse vídeo, eu e a Karen por trás dele comentando a respeito. Era um vídeo bem simples, feito com uma câmera fotográfica digital. A aula vai começar, a professora coloca uma música dançante, que me deixou vestígios de Moby, apesar de não ter nada a ver com Moby. A Karen tá sentada no chão, e se levanta. Dá para ver a sala toda, e a Karen de roupa preto e branco se levanta em meio aos outros alunos, dos quais não tenho nenhuma informação. O que eu tenho na cabeça é que a câmera muda subitamente de posição, e eu não entendo como a Karen está filmando e participando da aula ao mesmo tempo. Depois de rever o vídeo (o vídeo se repete duas vezes no sonho) é que ela se vale do fato de a sala ter espelhos, logo no começo do vídeo ela está de frente a uma das paredes de espelho e no decorrer da aula isso vai mudando. Ela até faz cirandas com os alunos, dois a dois. Os alunos tem que se movimentar como numa coreografia bem complexa. E NÃO FOI UM sonho somente, mas dois! Lembrei enquanto escrevia de um do outro. Sonhei em alemão! Ou com uma tentativa de entender alemão. Foi um sonho do filme Corra Lola Corra, mas no sonho o filme não se passava inteiramente em alemão, e em algumas cenas o filme era preto e branco. Lembrei do sonho quando escrevi “preto e branco” da cor da roupa da Karen. Mas acontece que na cena do telefonema o namorado da Lola dizia que se chamava Moritz, mas esse é o nome do ator, Moritz Bleibtreu. No filme é Manni. Ich heiße Moritz. Por que ele precisaria dizer isso, que se chama Moritz para a própria namorada, Lola? A ligação fica confusa e cai várias vezes, eles não conseguem se falar. Duas coisas de uma mesma época, Lola e Moby. Dois vídeos muito inventivos, que eu não consigo entender à primeira vista. Vontade de fazer ginástica e de voltar ao curso de alemão?

Um pouco de tudo, o episódio dos Simpsons aí em cima. Até a ciranda a Lisa faz no terceiro minuto. E as imagens estão invertidas como num espelho.

FOMOS PARA

Paris: Luís, meu pai e eu. Não sei para quê. Talvez simplesmente para passear. Ficamos na Bastilha, alguns lugarezinhos que eu não conhecia. Sol, andando bastante a pé pra cá e pra lá. Queria ir numa igreja, que eu chamava de Madeleine mas não era a Madeleine.

O apartamento onde ficamos lembrava o de Santa Cecília. Mas era um apartamento do Rogério, que mora em Barcelona. Ele nos emprestou o apartamento, ligou pra gente, queria saber se estava tudo ok. Meu pai me pergunta se aquele apartamento não seria o nosso, o mesmo, de Santa Cecília.

O Luís vai embora dois dias depois, talvez tivesse voltado para São Paulo.

Eu e meu pai também partimos de Paris, mas eu fui direto para Palmas, TO. Lá eu ia dar aula.
Encontrei claro o Sérgio, no corredor da escola-faculdade-não sei o que era, junto com outros professores. Daqui uns minutos o sinal ia tocar, e cada prof se dirigia a uma sala. A minha sala era a 10. A sala ficava naquele corredor, mas eu não encontrava a sala. Sem me preocupar muito do que ia fazer na aula, de quem eram os alunos, eu continuava a conversar, mas também não entendia muito do que as pessoas falavam.

Tinha um mosquito colorido, com cara de criança e boné, que abria uma telinha e começava a mostrar vídeos. Era um mosquito raro, disseram pra não matar o bichinho. Um professor já entrou na sala para onde o bichinho voou. O Sérgio também entrou na sala dele.

Eu procurei minha sala, com muita dificuldade achei. Na porta, para confundir, estava escrito assim:
123y X 18-10 D
Pode ser que os alunos colocaram números e letras na porta da sala, imaginei. Lá dentro, crianças e adolescentes, eu não sabia determinar que idade tinham, uniforme roxo. Estavam ensaiando uma peça de teatro. Não sabia se uma das adolescentes do grupo era realmente a professora substituta ou era um papel da peça.

Enquanto isso, o Luís continuava em Paris.
Ele mudou de visual, deixou um bigodinho, o cabelo ficou meio anos 90, estava usando umas roupas de rapper, jaqueta adidas, corrente no pescoço, essas coisas. Tinha um carrão.

Fui me encontrar com ele, estava com saudade. Me levou com uns amigos no carro dele para passearmos. Chegamos numa quebrada, uns caras nos assaltaram. Fiquei meio sem graça de mostrar que eu não tinha euros, meu celular e meu mp3 são velhos e não devem custar nada na França.

TEM UNS SONHOS

que mais são ajustes da realidade que outra coisa. Ajustes, lembretes, antecipação do que se tem que fazer. Hoje por exemplo, eu fui à locadora procurar o filme O testamento do senhor Nepomuceno, que eu vi na época mas do qual eu não lembro nada a não ser a aparência do ator principal, brasieiro. No sonho meu pai queria o livro do escritor, na realidade foi a Lúcia que me pediu. Durante o dia escrevi para ela, na busca de uma resposta sobre como achar A ilha fantástica, do mesmo escritor.

Além disso teve um remake de filme chato francês com uma atriz chata, filme sem pé nem cabeça, e dei bronca em quem achava que tinha que dar e não dei de verdade, mas fico tentando.

DIAS ATRÁS

eu fiz coisas muito úteis como procurar colares e bonitos e conversei com Chico Buarque numa situação inimaginável. Eis o que eu lembro dos dois sonhos:

Ontem estava passeando e resolvi parar numa loja, onde tinha em bancas vários colares bonitos, parecia que a preços módicos. Fui revirando o que ali havia, cheguei num colar de prata, com desenhos de frutos do mar, pedrinhas e tudo. Fiquei encantada. Vi o preço, custava 10 parcelas de 950 reais. Ai que triste. Então a moça da loja começou a me mostrar coisas “para dar sorte”, uma rosa de plástico, uma outra com um líquido que mudava de cor. O líquido quando encostei ficou amarelo, então ela me disse que eu estava seca por dentro. Acordei com sede.

Hoje eu já saí correndo à Cachoeirinha, para o centro cultural onde a Karen trabalha. Ela organizou um show com o Chico Buarque. Cheguei depois da hora que o show começava, mas eu era a primeira pessoa que chegava para o show. Fiquei abismada. Só eu ouvindo o Chico Buarque cantar com violão e só ele no palco. Nem sou tão fã assim do Chico, não sabia cantar todas as músicas, que vergonha. Ele também muito envergonhado. Depois do show, puxei papo com ele, disse que gostei muito de Budapeste, que vou tentar ler o livro novo dele (que realmente lançou, agora). Ele pegou um elevador, foi-se. Eu disse que achei legal tê-lo visto num lugar que não aquelas salas de show caríssimas e lotadas.

ERA UMA AULA

de francês chata, a professora parecia uma prof chata do senac, que usava sempre roupas da mesma cor de acordo com o dia da semana.
Eu era aluna, num grupo de 20.
Entramos no pensamento de um colega, que ficou se imaginando num carrão importado, uma mistura de carro antigo com novo, preto e conversível, andando por alguma cidadezinha histórica como Tiradentes, ao som de uma música que a prof colocou pra tocar. Ele se imaginou no vídeoclipe da música, que parecia um Charles Aznavour ou Yves Montand. Pelo cenário, pensei, poderia ser um clipe do Fagner ou Alceu Valença, protagonizado pelo ator João Miguel, que, soube agora, foi escalado para fazer o papel de Lula no cinema. Parece que ele recusou.

De qualquer maneira, achei João Miguel em Tiradentes.

Voltando ao sonho, me dou conta que a música em francês que a prof nos mostrou é It’s oh so quiet da Björk. A Björk então regravou, penso eu.

Começo a cantar do jeito da Björk, e de repente estou dando aulas particulares pra ela – não sei de quê, de francês? Ela está usando uma máscara que cobre o nariz e a boca, mas diz que não precisava mais usar isso. Ela está magrinha. A aula acontece num parque, como um zoo ou horto, vai ficando noite, escuro. Acho melhor terminarmos a aula. Ao sair do parque, crianças querem tirar a bolsa da Björk, ela dá uma bolsada na cabeça de uma menina, dizendo que ali tem o computador dela e ela não pode dar a bolsa. Os guardas soltam rojões e algumas crianças saem nadando, outras não.
Nós resolvemos pegar um táxi.

SONHEI QUE

Obama tinha morrido.


ele – de verdade, não como a Palin – no Saturday night live…

Sim, o Obama, presidente dos Estados Unidos e tudo o mais, ele mesmo. Foi um choque no mundo todo. Algo como a queda das torres gêmeas. Uma tristeza que só. Clima de “the dream is over”. Para onde vai o mundo?

Culpados? Talvez um extremista estadunidense que não achou graça com o resultado das eleições, com o fato de que a posse aconteceu. Alguém que não está nem aí pro fato de que Obama já está cumprindo promessas de campanha.

Onde aconteceu? Não sei, pode ser em Davos. Poderia ter sido um acidente, um problema de saúde que atacou de maneira fulminante.

Só sei que a força do sonho foi tanta que hoje abrindo uma notícia falando nele, eu logo pensei: – Nossa, mas ele não morreu?