ONDE VAMOS NOS HOSPEDAR?

essa era uma das perguntas centrais do planejamento da primeira viagem com o Francisco. Acompanhando os posts do blog de uma colega, me inteirei sobre as vantagens de se alugar um apartamento. Ainda assim, no final das contas, depois de pesquisar um tantinho pela internet, pesando os prós e os contras, nós decidimos por ficar num hotel. Isso porque pensamos que um ambiente mais impessoal seria favorável ao Francisco. Pensávamos: e se ele não gostar do clima do apartamento? remexer em tudo e quebrar algo de valor? Num hotel é mais fácil providenciar a troca de quarto, reclamar das condições, esse tipo de coisa — mesmo que isso seja também possível no caso de alugar um apê por intermédio de uma agência… Um outro conforto era ter o café da manhã, sem a necessidade de prepará-lo. Com essas coisas em mente, fizemos a reserva num hotel.

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Já nos primeiros dias de hotel, a gente se deu conta de que essa escolha nos deixou com uma grande desvantagem: a impossibilidade de cozinharmos e prepararmos nossas refeições. É só pensar na situação: fim de tarde, Francisco cansado, nós três com muita fome. E a gente precisava sair do hotel, procurar um local para comer que fosse baby-friendly — tanto no cardápio como no espaço. Passamos por várias dessas dificuldades aqui. Terminamos a viagem pensando na praticidade e economia de comprar os ingredientes no supermercado e fazer numa cozinha, como se faz quando se está em casa, no dia a dia.

Acrescente-se o fato de que o Francisco começou a comer pelo blw — isso significa que a cada refeição sobravam ao redor das mesas um monte de pedaços e farelos de comida, que a gente tentava sempre que possível limpar, para não irritar o pessoal dos restaurantes. Além disso, eu precisei, em alguns momentos, abrir mão das minhas restrições alimentares e comer coisas que eu tinha riscado da minha dieta. Nada grave.

Por ora, estamos repensando como faremos para uma próxima viagem. Se tentaremos um apartamento. Se arriscamos novamente o hotel, mesmo com seus pontos negativos. Num próximo post, continuo com o tema.

UM EMAIL, DE UM ANO ATRÁS

me chamou a atenção, faz alguns dias. Estava relendo as mensagens que recebia e escrevia logo depois do nascimento do Francisco, para reavivar a memória — eu estava escrevendo sobre o pós-parto. Uma querida amiga, que me mandou vários emails durante aqueles meses, muito delicadamente colocava à prova algumas das decisões que tomamos: usar fraldas de pano, não dar chupeta, encarar as cólicas com muito peito. Ela se preocupava com meu estado e me perguntava que aquelas coisas valiam a pena.

Algo muito rico nesse tipo de amizade é poder confrontar ideias sem que ninguém se sinta ofendidx. Responder para ela a mensagem que copio abaixo me ajudou a consolidar minha posição. Relendo hoje, percebo que mantive muito daquilo que defendo. Ainda assim, é bom evitar qualquer rigidez absurda. Busco me manter aberta e vigilante, questionando-me a respeito das nossas escolhas. Sobre as fraldas, por exemplo, recorremos às descartáveis quando fazemos passeios mais longos ou durante uma viagem. Nós nos perguntamos também a respeito do sling: até quando será confortável carregá-lo sem o auxílio de um carrinho? De maneira semelhante, reflito a respeito de sua alimentação. Por mais que tenha iniciado a comer por blw, vejo que o método tem seus limites e algumas vezes dar uma papinha é mais compensador do que apenas pedaços de comida (falarei mais sobre isso em outro post).

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Quando alguém me pergunta: “você ainda amamenta? por que você usa sling? as fraldas de pano não dão muito trabalho? por que você não compra papinha pronta?” eu procuro, primeiramente, não encarar como uma provocação. Em alguns momentos, fico em silêncio ou faço cara da alface. Mas, da mesma forma, me sinto bem se perceber uma oportunidade para trocar experiências e pontos de vista.

Para finalizar, o email:

Marco e eu optamos por uma série de coisas que fogem ao padrão, a gente se confronta com essas escolhas e tentamos ver criticamente. A fralda de pano foi uma delas, quando compramos estávamos mais olhando as vantagens, meio idealistas e ingênuos, sem olhar as desvantagens. Talvez elas convenham mais a quem tem mais tempo livre (o Marco trabalha período integral), quem tem máquina de lavar em casa, quem tem empregada, quem tem dias de sol pra colocar no varal… ainda não sabemos até quando vamos mantê-las, até porque mesmo as pampers tem as suas desvantagens. Na verdade, qualquer coisa que escolhemos terá seus pontos fracos e fortes.

Se posso dizer que algo atrapalha, são os comentários que vão contra o que pensamos (colo deixa o menino mal-acostumado, dar o peito sempre não adianta, dá chupeta pra ele, etc.). Respeitamos a opinião de todo mundo
mas também de certo modo é preciso respeitar a nossa maneira de criar o Francisco. Às vezes me pergunto se é melhor deixar quieto ou discutir.

Gosto muito do contato de dar o peito, seja pra comer ou pra que ele se sinta bem (e ele se sente realmente bem, é lindo ver isso) — até porque comer e prazer estão muito relacionados! Eu mesma e o Marco acreditamos que nossos problemas com o maxilar e aparelho ortodôntico tiveram origem no uso da chupeta. E como você disse, é sempre uma luta querer tirar anos depois a chupeta da criança. Parteiras e enfermeiras me recomendaram que ele tentasse chupar o dedo (o meu ou o dele), mas ele percebe a diferença. Raramente chupa meu dedo e fica bem.

Tento julgar cada vez menos a maneira de criar os filhos que observo em outros casais. Até porque a criação é um processo sem fim, um aprendizado a todo momento, não sei ainda tanta coisa! Não sei se daqui uns meses o quanto teremos mudado em relação às nossas escolhas. Estamos sempre tentando, buscando, ficando de olhos abertos.

MICOSE NAS UNHAS

dos pés: eis um dos problemas que tenho enfrentado nos últimos anos. Normalmente temos vergonha do assunto; aparenta falta de higiene, descuido. É algo relativamente fácil de esconder.

Da mesma forma, a solução pode ser bem simples: marcar consulta no dermatologista, tomar um remédio via oral e passar uma pomada ou esmalte nas unhas. Pronto, os fungos assim estariam mortos. Quem sabe até indo direto à farmácia, mais rápido ainda, consegue-se um medicamento sem receita que resolve a questão.

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Mas eu não quis passar por um tratamento alopático como o que descrevo acima. Os remédios me impediriam tentar engravidar. Depois, grávida, e agora, amamentando, não posso tomá-los. Em seguida ao parto, a situação das unhas piorou, fui novamente ao dermatologista. Ele me recomendou que eu parasse de amamentar. Recusei. E foi esse impedimento a tratar especificamente a micose que me levou a descobrir muitas coisas relacionadas a ela e a mim mesma.

Por que eu tenho essas manchas nas unhas e meu marido, com quem vivo, não tem? Eu imaginava que micose seria contagiosa. Há, porém, um fator decisivo: ela se desenvolve num corpo que não consegue se defender. Em outras palavras, se o sistema imunológico não é forte o suficiente, o fungo encontra terreno para crescer e proliferar.

Essa informação encontrei nessa página, junto com alternativas de tratamento natural. Então a micose seria a manifestação de algo mais profundo. Todos aqueles meus probleminhas de saúde estavam relacionados ao fato de que meu corpo se defende mal contra invasores.

E como minha imunidade chegou a esse estado? Há fatores que enfraquecem o sistema imunológico. O uso elevado de antibióticos é um deles. O antibiótico nos ajuda, ao mesmo tempo em que nos tira a chance de nos defendermos sozinhos contra uma infecção. Açúcar é outro elemento, junto com a farinha refinada, glúten. Leite de vaca também pode entrar nessa lista. Stress, más companhias e ambientes hostis também nos afetam.

Quase nenhum médico tradicional conhece ou nos informa sobre isso. Perguntei ao dermatologista — era o médico-chefe do hospital — e ele não soube me dizer nada de concreto. Infelizmente a formação deles não enxerga o corpo como um todo. E que carregamos um espírito ali dentro.

Estou num processo de cura integral. A micose, nesse panorama, é só um detalhe.

Descobri que preciso recuperar minha flora intestinal, um dos pontos fundamentais para um sistema imunológico eficiente. Mudei minha alimentação. Visito terapeutas diversos. Podologia, bioressonância, reflexologia são alguns dos tratamentos que tenho contato. Por sorte, encontro pessoas gentis, sérias, atentas. Muitos textos na internet me informam e inspiram: este sobre o glúten, e aqui também, entre outros.

Encontrando orientação com terapeutas e apoio em textos, compreendi que eu mesma sou minha terapeuta: eu me observo, me controlo, me cuido. Cabe primeiramente a mim essa tarefa.

Já perdi unhas, elas doem e crescem tortas. Agora estão melhorando, lentamente. Paciência é um ingrediente de suma importância.

Há muito ainda o que descobrir. Fico feliz por tantas pequenas coisas, principalmente pela possibilidade de aprender e de me transformar.

SOBRE AQUELA FOTO, DE 2010

que foi o tema desse post aqui, ainda me vieram à mente outras coisas, sobre as quais vale a pena escrever.

Semanas antes da apresentação, entrei num estado de crise. Bateu uma profunda dúvida em relação ao que eu estava fazendo. Quero estudar autobiografia? É isso mesmo o que quero para mim? Será que não haveria outro tema, outro interesse que eu poderia explorar? Não enxergava nenhuma resposta. Fui adiante, mesmo com a visão embaçada. Às vezes é necessário confrontar-se com uma imagem pouco nítida, como uma pessoa em movimento — é mais ou menos o que diz Wittgenstein num texto que me tocou muito um ano antes. O mestrado foi um enorme aprendizado, no âmbito pessoal, sobretudo: para lidar com x outrx e comigo mesma.

Voltando àquele tempo, sentia-me bonita, gostava daquelas roupas, do corte de cabelo; essa lembrança foi clara, logo ao ver a foto. Acho bonita essa Ana Amelia de quatro anos atrás. Paro pra pensar em como o tempo voa rápido e talvez não passe de uma ilusão.

Eu estava magra, mas isso não significa que comia bem ou que estivesse bem de saúde. Lembro que para compensar o estresse, abria uma lata de leite condensado — coisa tão comum, fazer um brigadeiro de panela para acalmar os nervos. Devorava doces, sedenta. Agora entendo melhor aquela minha dependência de açúcar. Antes, eu diria que chocolate era algo indispensável na minha alimentação. Hoje, quase seis meses seguidos sem comer nenhum tipo de doce, percebo que podemos mudar nossos hábitos.

Naquele outubro de 2010, estava me tratando com homeopatia e tinha me matriculado no kung fu. Ouvia muita música, ia a vários shows, mesmo sozinha. Era como se o som do palco e a multidão da plateia me davam um pouco de força. Uma força que eu tentava obter também nos movimentos do kung fu. Força que estou ainda à procura.

Olho para trás com felicidade: sim, tanto agora como naquele momento caminho minha estrada, ao mesmo tempo tão diferente de antes, mas tão igualmente parecida.

O PRIMEIRO DENTINHO

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chegou por volta dos seis meses. Já fazia um bom tempo que ele babava bastante — sinal de dente nascendo. Além disso, percebemos que ele roçava qualquer brinquedinho na gengiva. Dizem também que esfregar as orelhas sinaliza dente chegando.

Na verdade, é todo o corpo que está mudando. O sistema digestivo, especialmente. O Francisco teve algumas assaduras, mas bem pouco. Usar fralda de pano e trocá-la com frequência alivia esse problema. Pomadas são desnecessárias: inibem as defesas naturais da pele e criam uma dependência. A pele do Francisco ficou bem melhor depois que deixamos de usá-las.

Muita gente relata dificuldades quando os dentes estão despontando: noites mal dormidas, febre, dores fortes. Felizmente não tivemos nada do tipo até o momento. Por volta dos quatro meses o Francisco começou a usar um colarzinho de âmbar. Ainda que faltem pesquisas científicas que comprovem sua eficácia, acreditamos que ele tenha ajudado.

Logo depois do primeiro dente, chegou um outro. E aos dez meses, já dava para perceber quatro dentes chegando em cima!

Os dentes chegam num momento de amplo desenvolvimento motor. O Francisco engatinha, levanta-se com apoio. Sua percepção do corpo vai ficando mais afinada — mãos, pés, cabeça. Dá tchauzinho e bate palmas. Experimenta todo tipo de frutas e legumes. O cocô mudou, assim como o ritmo das evacuações — assunto para outro post.

Enfim, os dentinhos vão compondo um rostinho de criança, coisa tão bonita de observar.

UMA MUDANÇA NA ALIMENTAÇÃO

começou aqui em casa, em fevereiro. Ao mesmo tempo em que o Francisco completou seis meses e foi experimentando as primeiras frutas e legumes, eu dei início a um tratamento que exclui açúcar, trigo e laticínios do cardápio.

Assim, somos nós dois a aprender a comer. Pelas minhas leituras, parece comum esse tipo de situação: mães e pais tomam a introdução alimentar dxs filhxs como uma oportunidade para comer com mais consciência, cozinhar melhor e de maneira mais saudável.

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Por que essa minha restrição? Observando meu histórico de saúde e fazendo alguns controles, cheguei ao seguinte resultado: metabolismo muito baixo e, principalmente, sistema imunológico bem fraquinho. Tanto uma coisa como outra são consequência de uma série de fatores. De toda forma pode-se dizer que a alimentação desempenha um papel muito importante nesse jogo. Açúcar, glúten e proteína de leite de vaca seriam agentes que me levaram à situação em que me encontro.

Já faz uns anos que conheço, mesmo que superficialmente, o trabalho de Sonia Hirsch e seus livros. Sabia que deveria mudar minha alimentação para melhorar a saúde e o espírito. Ter me tornado mãe está me dando essa chance.

Para a minha saúde, tenho sentido os efeitos dessa mudança — não só no corpo mas também na disposição e no humor. De alguma forma os doces agiam sobre minha ansiedade. Comer também se relaciona muito com nossos afetos e lembranças. Da mesma forma, age como elemento de socialização. Todos ao redor estão tomando um delicioso café com bolos, croissants e geléias, cheio de cores e cheiros… enquanto eu estou comendo pêra, ameixa e banana. O que isso interfere na nossa comunicação?

Isso tudo me faz repensar as relações com as pessoas, com a natureza e até mesmo com o dinheiro. Qual o custo dos orgânicos, em confronto aos industrializados, por exemplo?

Esses meses tem sido bons e cansativos. A rotina mudou bastante. Antes, era rápido matar a fome com um sanduíche de queijo, um biscoito integral. Agora, precisamos ir atrás de frutas frescas, cozinhar os legumes, preparar arroz… No fim das contas, é tudo uma questão de hábito. Mas está aí o ponto: mudar um hábito às vezes é o principal desafio.

O BLW, NOS TRÊS PRIMEIROS MESES

foi uma experiência muito rica para nós. Francisco já tinha curiosidade em pegar nos alimentos, nos talheres e copos sobre a mesa.

Começamos com banana. As primeiras engolidas são estranhas, mas não tivemos nenhum engasgo forte! Os pedaços grandes ou que ele não consegue engolir a língua se encarrega de colocar pra fora.

Como já disse no primeiro post sobre blw, esse método prevê muita sujeira: mesa, roupa, cadeira, chão… em todo lugar vai parar um pedaço de comida. Muitas vezes é melhor ir direto pro chuveiro depois da refeição. Paciência também é muito importante! A carinha feliz dele provando os alimentos compensa o esforço.

Talvez não lembre de tudo, mesmo assim vale listar algumas coisas que o Francisco experimentou: banana, pêra, maçã, mamão, pêssego, ameixa fresca e seca, damasco fresco e seco, abacate, kiwi, melão, abacaxi, morango, framboesa, cereja, manga, laranja, mexerica… entre as frutas. De resto: abobrinha, tomate, cenoura, berinjela, pimentão, batata, aspargo, mandioca, ervilha, cebola, alho, alface, rúcola, espinafre, arroz, lentilha, quinoa.

Frutas são mais fáceis de servir. Ainda sinto muita necessidade de aprender a cozinhar bem, condimentar de um jeito gostoso sem apelar pro sal. Cozinho a vapor os legumes, asso quando possível, com óleo de coco ou azeite. Compramos orgânicos maior parte das vezes.

De laticínio só iogurte natural, puro, mesmo assim super pouco, menos de uma colher de chá no café da manhã, quando ele demonstra interesse. Com o tempo, quero aprender a fazer iogurte em casa.

Até agora, nada com farinha de trigo, açúcar ou industrializados. Se oferecem, recusamos.

Tudo legal nesses primeiros três meses de introdução alimentar. Depois dos 9 meses, nos deparamos com alguns limites: coisas como espinafre, arroz, quinoa, lentilha, grão de bico são difíceis de pegar. Dizem que se deve esperar que o bebê desenvolva o movimento de pinça com os dedos. Mas eu fico aqui me perguntando se eu não poderia oferecer com uma colher…

O Francisco desenvolveu seu gosto; reconhece de imediato uma banana, uma fatia de melão, uma cenoura. Mas também quer variedade. Seu apetite e interesse pela comida ainda não é constante. Tem vezes que come muito, em outros momentos não aceita nada. Ele também se interessa muito pelas coisas que nós comemos e não podemos lhe dar.

A partir dos nove meses do Francisco meus desafios são: pesquisar receitas de comidinhas alternativas, que fujam dos laticínios, glúten e açúcar; integrar mais o Francisco nas refeições; variar o cardápio (muitas vezes sirvo tomate ou cenoura pela rapidez, por exemplo). Em suma, aprender muito sobre cozinha e comida.

BLW: BABY-LED WEANING

é uma expressão em inglês que muitas vezes traduzem como “desmame guiado pelo bebê”. Eu prefiro dizer que se trata de um método de introdução alimentar guiado pelo bebê — visto que o termo “desamame” pode dar a impressão que o leite materno está sendo suprimido da alimentação do bebê. Há pessoas também que interpretam o desmame como um longo processo, a partir do qual o leite materno deixa de ser a única fonte de alimento do bebê, até o momento em que ocorre o desmame total. Questão de ponto de vista…

Independente de como se pode traduzir, o BLW tem se tornado mais popular, nos últimos tempos. O termo foi cunhado por Gill Rapley, agente de saúde britânica. Ela percebeu, durante seu trabalho já uns 30 anos atrás, que muitos bebês tinham dificuldade para começar a comer com colher. Rejeitavam as papinhas que lhes eram oferecidas.

Pelo BLW, o próprio bebê conduz sua refeição. Ele pega os alimentos com suas mãozinhas e os leva à boca. Mais simples e elementar do que isso, impossível. De maneira intuitiva, descobre os primeiros alimentos, saboreia, rejeita, se lambuza… tudo de acordo com sua própria vontade e interesse.

Muitos bebês vão ficando curiosos com a alimentação dos pais e da família, quando se sentam à mesa, já por volta dos 4 meses. De toda forma, o que se recomenda é manter os seis meses de amamentação exclusiva. Mesmo depois disso, o leite materno se mantém como a principal fonte de alimento até um ano.

Quando o Francisco completou os seis meses, compramos uma cadeirinha, mas montamos sem aquela bandeja que vem na maior parte dos modelos. Assim, o Francisco come à mesa, como nós, sem distância. Até agora, ele provou frutas e legumes. Tudo cozido em casa, nada de papinha industrializada nem comida pronta de supermercado. Tempero pouco, orégano, manjeiricão, alecrim, azeite. Colocamos em pratinhos de plástico. Come-se junto conosco, no café da manhã, nos lanches, no almoço, na janta. Não me preocupo se ele está dormindo e perde alguma dessas refeições.

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É natural que haja, sobretudo, bagunça. Muitos pedaços de comida pela cozinha toda. Preciso sempre dar uma limpada no chão quando terminamos de comer. Roupas manchadas de comida, idem. O Francisco já tem várias camisetas e bodies com marcas de banana, manga, beterraba, coisas do tipo. Às vezes usa babador, mas tem momentos que ele mesmo o tira! Quando não quer comer mais, brinca com pratos e colheres.

Nesses primeiros meses, tenho visto que o Francisco tem tido cada vez mais interesse pelo que comemos. Gostou praticamente de tudo o que lhe foi oferecido. Frutas ácidas ainda evitamos, por conta das assaduras. De resto, ainda preciso aprender muito a me planejar e cozinhar, poder variar o cardápio, incrementar de maneira saudável sem apelar para industrializados, molhos com muito sal ou açúcar, etc. etc.

Tenho me informado muito pela internet, em sites, blogs e grupos de discussão. Gosto muito desse texto aqui: ressalta que comer é uma atividade sensorial e um momento em família. O blog todo, aliás, é muito inspirador.

Visito também a página oficial do BLW, que traz inclusive algumas receitas. Comprei também o livro de receitas delas, mas sinceramente não me agrada que tantas delas contenham farinha de trigo… Estou pesquisando alternativas, como farinha de arroz, por exemplo.

Além disso, acho legal recomendar esse blog de uma mãe falando sobre BLW e seus dois textos “teóricos”: 1 e 2. Essa outra blogueira também traduziu algumas diretrizes para o BLW, muito boas.

Para finalizar, um texto que não fala diretamente sobre BLW, mas tem muito a ver com o assunto: existe alimento infantil? A resposta é bem simples: salvo o leite materno, não existe “alimento para criança”! Infelizmente somos levados a acreditar que o melhor para os bebês são as comidinhas pré-fabricadas, com seus rótulos gentis e que escondem tanta porcaria. Continuo num próximo post…

EU NÃO SEI COMER

acho que nunca soube; quando me dei conta disso, anos atrás, veio logo um pensamento: e se não precisássemos nos alimentar para viver? seria mais fácil?

Parecia que tudo o que eu comia não era bom; que escolher e entender sobre alimentação eram coisas bastante difíceis. Eu entendia que comer bem era fundamental para uma boa saúde. Revendo minha história, buscava um caminho que valesse a pena seguir.

Fui aquela criança que não comia “nada”. Magrinha e muitas vezes doente, lembro que gostava de arroz, gema mole com pão, banana e doces. Até colheradas de açúcar puro eu comia. No pré, uma “tia” me enfiava goela abaixo ovo cozido e feijão na hora do almoço. Talvez nunca me esqueça do quão desagradável era ser pressionada a engolir duas coisas que até hoje eu não gosto de comer.

Minha mãe se preocupava, tentou várias coisas: comprou uma centrífuga para fazer suco de cenoura. O bagaço engrossava o molho de tomate. Também colocava água de beterraba na gelatina.

Massas, pão, bolacha, gemada, esfiha, sorvete… era pra isso que eu dava atenção. Era bem gordinha entre 8 e 14 anos. Depois fui emagrecendo naturalmente: tomei gosto por caminhar, quando comecei a trabalhar aos 15 perdi mais uns quilos.

Por conta própria, nessa época, deixei de lado refrigerantes e embutidos. Percebia que faziam mal.

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Passei por oscilações de peso, mesmo que sutis. Atividade física? A partir dos 20 anos, fiz de tudo um pouco: hidroginástica, ioga, tênis, boxe, academia, dança, curves, kung fu… mas nada além de seis meses. A prioridade foi sempre trabalhar e estudar. O corpo e a saúde ficavam em segundo plano.

Engordava e emagrecia sem muito controle. Os doces, como sempre, eram muito presentes, mesmo que eu tentasse incluir alimentos saudáveis. Cereais, biscoitos integrais, ovomaltine, yakult e leites de soja me ludibriavam: ué, não fazem bem à saúde? — pois é, como essas comidinhas cheias de açúcar nos enganam…

Um outro elemento entra com força: cafeína. Expresso, capuccino ou chá mate — com algum doce por perto — faziam a dor de cabeça ir embora e davam energia pra enfrentar as aulas.

Doentinha quando criança, tinha rinite, amídalas inflamadas, pneumonia, sinusite… tudo tratado com antibiótico, xarope, rinosoro. Resultado: sistema imunológico bem fraco. Depois dos 20, vieram enxaqueca, gastrite, alergias de pele, acne, varizes, micose, bruxismo… Foi quando me enchi dos consultórios tradicionais e procurei acupuntura, iridologia, homeopatia. Parei com carne, salvo peixe. Mas ainda tinha tanto a melhorar. Eu procurava, procurava…

A história é longa. Por ora, com a gravidez e a vida com o Francisco, a minha afinidade com as terapias alternativas só aumenta — porque buscam ver o indivíduo por completo, dão mais valor ao processo do que ao resultado, promovem mudanças de atitude.

Além disso, não quero que o Francisco viva o que eu vivi. Que a minha experiência sirva de aprendizado para mim mesma como mãe, ao menos para guiá-lo em seus primeiros passos.

Por fim, ainda não sei comer; mas que eu possa sempre aprender a comer melhor.

10 DE ABRIL: SEIS SEMANAS

sem comer alguns alimentos que até então eram bem presentes no meu cotidiano: açúcar refinado, mel, farinha de trigo (o que inclui massas, pães, biscoitos, até mesmo integrais, gérmen de trigo), aveia, leite de vaca e derivados. Se a lista já parece bem grande, acrescento: atum, camarão, lagosta e frutos do mar. Faz uns anos deixei de comer carne (vaca, frango, porco) mas continuo a comer peixe (quem sabe um dia viro vegetariana de verdade…). Nada de álcool ou bebidas com cafeína (isso também por conta da amamentação).

Sem todas essas coisas, o que estou comendo? Frutas frescas e secas, verduras, legumes, iogurte e queijo feta (exceções dos laticínios), oleaginosas. Além disso, batata, quinoa, inhame, ervilha, lentilha, grão de bico, linhaça, polenta, semente de girassol, gergelim. Até pipoca eu posso comer.

Parece um tanto difícil. Mas é bem possível. Faz uma baita diferença no cotidiano. Deixar de lado alguns costumes, que mais pareciam rituais: pão com manteiga e mel, a facilidade de se abrir uma lata de atum ou comer um cereal com leite, a pizza no fim de semana, os doces que sempre fizeram parte do dia.

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Mudar de alimentação também muda o relacionamento com o mundo: é dizer não quando alguém te oferece carinhosamente um chocolate, um pedaço de bolo para acompanhar o chá. É ter que ignorar 80% das prateleiras do supermercado, visto que quase tudo é feito de açúcar, farinha de trigo ou algum derivado de leite de vaca. É ter que comprar alguma coisinha quase todo dia, porque frutas e legumes precisam ser frescos. Deixamos de lado aquela compra grande quinzenal, encher a geladeira, para fazer comprinhas pequenas.

Gasta-se mais dinheiro? Depende. Come-se menos e melhor em qualidade. Minha mãe diz muito: melhor gastar no supermercado e na feira do que na farmácia!

Aí aparece a razão para essa mudança alimentar: a saúde. Estou fazendo um tratamento alternativo, para recuperar o sistema imunológico. O metabolismo também estava baixíssimo: numa escala em que 100 é o normal, o meu estava em 27 (!) um mês atrás! Falarei mais em outro post. Por ora, estou me sentindo muito bem com a nova rotina: aprendendo coisas diferentes na cozinha, a digestão está bem mais rápida, estou me sentindo mais disposta e menos estressada, sem aquelas eventuais dores de cabeça sem explicação. Isso porque, acima de tudo, eu quero mudar.

Hoje é o dia de retorno à consulta, para verificar os efeitos dessa mudança e saber quais os próximos passos a seguir.

Importante: esse post não é nenhum guia alimentar, mas o relato de uma experiência pessoal. Estou seguindo um tratamento, acompanhada por uma especialista. Cada pessoa tem seu perfil, necessidades e características que devem ser levadas em conta quando se trata de alimentação. A quem lê, caso interesse, aconselho que procure orientação para mudar a dieta.