DOMINGO PASSADO

sem ter planejado nem nada, revi com a Karen A árvore, o prefeito e a midiateca, do Rohmer. Já queria, desde janeiro, quando ele faleceu, rever, ou até melhor, fazer toda uma retrospectiva do que tem dele em dvd. E até ir atrás dos filmes posteriores a Inglesa o e duque.

A Karen defende que os filmes vão se mostrando cada vez mais chatos com o passar do tempo. Até entendo onde estaria essa chatice nos filmes dele. Percebo a dicção das atrizes, sim. Mas isso é mais razão para gostar do cinema que ele faz. As conversas sem fim, em longas cenas externas. As discussões que vão de paixonites a política. O real que ele coloca, indo para diversos lugares da França a cada filme. Pelos cenários que são na maior parte das vezes a rua (- uma ideia de filme: que ele só tenha cenas externas). Pelas pessoas que tentam ser como qualquer uma, vivendo.

DA ORTODONTIA

eu esperava a correção de um erro de posição dos articuladores do maxilar: atm, do qual pouco sei em teoria, mas talvez o necessário na prática. Erro aparente desde as primeiras fotos de infância, mas que era só um traço da fisionomia. No fim da adolescência, e anos depois desse fim, o erro começou a se mostrar doloroso. E insuportável. A solução foi tratar desssa dor e desses movimentos com outras dores e outros movimentos. Movimentos e dores estes com função de fazer pensar em atos cotidianos que podiam me passar despercebidos: a mastigação, o bocejar de manhã, morder um chocolate, dar uma aula. Tratamento que me leva a descobertas recentes: 1) o toque dos dentes não é necessário: somente em 17% do dia;  2) tenho força de 120kg/cm cúbico mas não tenho coragem de morder uma maçã. 3) a arte da conversa – dos dentistas – para o qual só podemos responder: – ah! – com a boca aberta.

SONHEI COM O LEJEUNE

que eu me lembre, é o primeiro sonho que tenho com meu objeto de pesquisa.

Falávamos por telefone. Eu podia ver onde e como ele estava. A grande questão é que ele mudava de rosto enquanto a gente conversava. Também em um momento passávamos do francês para o português, como se não houvesse diferença entre uma língua e outra.

Ele me pergunta se eu já estava a caminho da França, para encontrar com ele. Informações desencontradas mas que estavam encontrando um caminho.

Também sonhei com um carnaval de rua, com colegas da escola e gente vomitando.

ALGUMAS COISAS RÁPIDAS QUE PRECISAM SER DITAS

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pensei ontem que uma das coisas que fazem a vida valer a pena, para mim, é contar e ouvir histórias.

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acho que não sou uma pessoa organizada, mas que gostaria de ser; quase sempre estou arrumando meu arquivo (aqueles cinzas de escritório), as estantes, os armários; não dou conta! jogo fora quilos de papel, para a reciclagem…

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consegui vender bem rapidinho um livro na estante virtual; achava que ia ficar lá por anos, mas dá certo! fica a dica.

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quem frequenta os cinemas da região da Paulista já deve ter visto um senhorzinho de bengala, gordinho e de cabelos brancos, foi ao festival de filmes de surf e ao noitão do hsbc; é alguém com quem vale a pena conversar enquanto o filme não começa.

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última vez que conversei com ele foi segunda passada, me deu dicas de como sobreviver ao mestrado, falou da letras durante a guerra com o mackenzie em 1968; imagina o que era estudar russo naquela época, com a ditadura começando a pegar pesado.

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a gente foi ver o documentário dos titãs na segunda, fiquei feliz e ao mesmo triste (o que já falei deles aqui explica porque feliz e triste)
– o tempo passa…