ABRIA UMA REVISTA

na sala de espera. Começo pela última página, ao contrário: fotos de museus pelo mundo. Na de baixo, um amigo, visitando um museu em Paris, o de arts premiers talvez. Na foto acima, de outro museu aqui em São Paulo, o mesmo amigo. E outras fotos sem ele.

Encontro com ele e comento: “como assim, você em duas fotos em museus diferentes?” Abrimos a revista, as fotos viram vídeos. Ficamos ainda mais intrigados com a coincidência – ou a perseguição.

VOCÊ PASSA

pelas mesmas ruas de todos os dias, de onde você mora já faz anos; poderia descer pelo caminho de olhos fechados, tudo é familiar e todos te conhecem, sabem quem você é e que horas vai e vem. Mas agora fica pensando: como será ver tudo isso com outros olhos – ver com os olhos de alguém que nunca passou por aqui, alguém chegando pela primeira vez onde você sempre viveu?

MAIS DEMOLIÇÕES

na rua Paim: duas casas e um galpão, vazio faz muitos anos.

As duas casas reuniam muitos moradores. Essa com pastilhas coloridas tinha uma lojinha de aparelhos eletrônicos, locadora de DVD e venda de pamonha (até uma época foi aberta ali uma loja de produtos de milho). Da casinha branca ao lado só está de pé a fachada. Já o galpão tem um estilo que destoa de qualquer outra construção da rua.

UM PEIXE GRANDE

daqueles de olhos esbugalhados e barbatanas longas mordeu meu dedo. Não sei se foi assim que o pescamos. Colocamos num balde, e ele ficou nadando na vertical. Balde pequeno.

Saí correndo pela Martim Francisco procurando uma loja onde pudesse encontrar um balde maior. Passei em frente ao Fidelino, na porta estavam as mesmas pessoas da época em que estudei. Pensava em Peixe grande, do Tim Burton.

Com custo arranjei outro balde, transparente. O peixe tinha diminuído, estava laranja, mas no balde novo cresceu, escureceu e começou a falar comigo.

Acordando com o despertador vi que esse sonho tem tudo a ver com Ponyo!

A PERSONAGEM DO SONHO

subiu no ônibus; era uma cantora francesa em São Paulo. Começou a cantar “dezesseis” do Legião Urbana e os passageiros começaram a acompanhá-la. Uma outra moça puxa conversa, elas ficam falando muito sobre música. As duas combinam de participar de uma manifestação na avenida Paulista, a favor dos artistas de rua.

A francesa vai de skate e guitarra, sobe a Augusta. Chegando na Paulista, o skate escapa, vai para perto de um cara tocando contrabaixo perto do banco do Brasil. Vários músicos se espalham pela avenida, todo mundo tocando. Parece que a francesa acaba perdendo o skate.

POR TELEFONE

fiquei horas e horas conversando com um amigo, como há muito tempo não faço. Durante a ligação pensei logo no preço que ia ficar, um tanto caro, era celular. Isso era uma boa razão pra encurtar o papo. Mesmo assim continuamos, falando não imagino o que. Como num filme, era possível ver as duas pessoas que falavam ao telefone, em cada canto da cidade. Mesmo distantes, nós dois estávamos num parque, andando.

A minha grande curiosidade é saber exatamente do que tanto falávamos.

ERA UM CARRO

de modelo novo, fabricado por um grupo de estudantes de engenharia veganos. Eles me oferecem um, para testar; digo que não sou vegana; eles querem justamente conquistar outros públicos. Aceito dirigir o carro, de cor marrom, meio jipe, meio lada. Coloco na minha vaga do prédio, os vizinhos estranham o visual. Pergunto aos moços veganos como foi fabricado, que combustível aceita.  Só sabem dizer o preço: muito mais caro do que eu imaginava.

Então vamos todos a uma lanchonete vegana na rua da Consolação, as comidinhas são muito boas. Os veganos concordam que é melhor não ter carro por enquanto.

A RUA PAIM FICOU

sem mais algumas casinhas, demolidas nesses últimos dias, onde anos atrás funcionavam a cantina Posilippo, uma loja de jornais e produtos de papelaria, artigos para construção, marcenaria.

A rua Paim que se vê pelo Google street view já é muito diferente da que passo todos os dias. As imagens que captaram são de antes da copa, que fotografei. Mais algumas casinhas serão em breve demolidas, já com portas e janelas fechadas por blocos de concreto. A árvore da calçada vai continuar ali?


Talvez o problema nisso tudo seja a minha dificuldade de imaginar a rua com os prédios que nos anunciam.