21 DE DEZEMBRO

é dia do solstício, quando temos o dia mais longo no hemisfério sul, a noite mais longa no norte; quando o verão ou o inverno começam. É um dia, portanto, de passagem.

21 de dezembro de 2012 era o dia, alguns diziam, que os maias haviam previsto para o “fim do mundo” — ou pelo menos como o marco para o começo de novos tempos; era o ponto final do calendário maia. Ao que tudo indica, o mundo não acabou. No meu caso, esse foi um dia que sinalizou o começo de uma nova vida.

Logo cedinho, umas 5 ou 6 da manhã, fiz o teste de gravidez que havia comprado na farmácia na noite anterior. O resultado: positivo! Não poderia haver surpresa maior que essa. Meses antes, um ginecologista disse que eu poderia ter dificuldades para engravidar, por conta dos ciclos irregulares.

Mesmo antes de confirmar com a ginecologista (fui procurar outra médica para acompanhar a gravidez), já comecei a fazer algo que virou praticamente minha rotina de grávida: estudar, descobrir mais sobre esse mundo que eu ainda desconhecia. Comecei a visitar sites, entrar em contato com pessoas que poderiam me ajudar, buscar livros, filmes…

Tanta coisa nova aconteceu desde então: planos foram mudados; projetos foram deixados de lado; abrimos espaço em casa; rearranjamos muita coisa. Mas, principalmente, aprendemos muito.

O tempo da gravidez foi vivido com todos os seus altos e baixos: muita náusea e cansaço no início, o corpo e as sensações cada dia novas, a sensibilidade diferente, o humor que tantas vezes oscilava, um pouco de insônia… Aproveitei também para dormir muito, viajar e ver filmes. Fiz aulas de ioga para gestantes que me ajudaram bastante durante o parto.

Desde que o Francisco nasceu, incontáveis coisas se passaram num curto espaço de tempo… é toda uma outra vivência do tempo, quando se tem um bebê por perto. Vez ou outra, aproveitando uma brechinha de tempo, esboço o relato do parto. Foi uma experiência sem igual, que vale a pena ser compartilhada — até porque a leitura de tantos relatos, durante a gravidez, me esclareceram e inspiraram. Mas, escrevendo, percebi que apenas um contar como foi o parto não bastava. É um texto razoavelmente longo — e ainda tanta coisa fica faltando contar!

Percebi que seria preciso escrever vários outros textos — longos ou curtos, que dessem conta da experiência da gravidez, do parto, da maternidade. Ficou claro então que o ideal seria retomar a escrita do blog e ir publicando posts, passando adiante o que temos aprendido. Nada melhor, fazer duas coisas que me deixam tão feliz: escrever e escrever sobre ser mãe!

No fim das contas, recomeçar o blog também significa voltar a temas que já faziam parte dele: cinema, desenhos, fotografia, crochê, música. Um pouco de tudo do que eu gosto.