ANTES DE REALMENTE

começar a sonhar, me deu uma vontade enorme de comer cachorro quente. Já deveria ser um sonho: eu ainda não teria pegado no sono, e me veio cachorro quente à cabeça. Nunca fui hiper fã de cachorro quente, estranho ter esse desejo, justo agora que não como mais carne.

Aí pensei naqueles carros que param na rua vendendo cachorro quente. Catchup e mostarda.
Talvez porque eu de tarde comi hamburguer de soja, e pensei que o da Sadia combina mais com pão branco, e não com pão integral. E que não é necessário nenhum tempero com esse hamburguer, tão forte ele é nos condimentos. Aquela coisa: “é de soja mas é gostosinho”.

Aí pensei que poderia comprar no mercado salsicha de soja. Ou melhor: que a banquinha de tapioca da ECA teria cachorro quente prensado de soja.

Teve vários sonhos depois disso, uma filha de professora que não existe, mais uma criança para eu dar aula.

O que me restou foi esse cachorro quente. E não a vontade de comer cachorro quente: essa acho que passou.

ANTES DISSO

vi uma cena histórica que não conhecia: um discurso do Ronald Reagan em frente à porta de Brandenburgo, justo no limite entre Berlin ocidental e oriental.

Era criancinha na época, passou batido. Pra mim, soou ousado. Sei lá. Gostei, independente de qualquer outra coisa.
Foi como ver Che, quinta-feira de cinema lotado no Unibanco. Fiquei pensando se o que nos resta agora é assistir – e só isso…

VER O CHE

me fez ter um sonho lindo.
Estava em Santos, naquela parte mais centrão da cidade, construções antigas, pintadas de cores alegres. Dia de sol agradável.


esse dia em Santos estava agradável somente dentro do aquário

Olhando com mais atenção para o que acontecia nas ruas, deu pra perceber que tínhamos bondes andando. Olha bondes!
Provavelmente Santos teve bondes. Pois então. Eles saíam das garagens e dos depósitos, voltavam à ativa.
Havia vários modelos, uns que mais pareciam trens de carga, mas ok, o transporte era barato, tinha lugar pra todo mundo.

RESOLVI VOLTAR

a pé para São Paulo. Não foi difícil escalar a serra.
Aprendi vendo um filme que precisamos ter três membros firmes na pedra, um braço e as pernas, para poder procurar com outro braço uma pedra mais acima. E foi assim.

As pedras, chegando no planalto, tinham duas cores, um bege clarinho e marrom mais forte, que pareciam pintadas ou um efeito da luz do sol.

Chegando, cometi um erro. Coloquei Guarulhos no sul, no lugar de Diadema.
Fiquei procurando um ônibus intermunicipal, os bondes talvez voltando também a funcionar, mas nada estava mais certo.
Peguei um bonde andando, acho…

FOMOS PARA

Paris: Luís, meu pai e eu. Não sei para quê. Talvez simplesmente para passear. Ficamos na Bastilha, alguns lugarezinhos que eu não conhecia. Sol, andando bastante a pé pra cá e pra lá. Queria ir numa igreja, que eu chamava de Madeleine mas não era a Madeleine.

O apartamento onde ficamos lembrava o de Santa Cecília. Mas era um apartamento do Rogério, que mora em Barcelona. Ele nos emprestou o apartamento, ligou pra gente, queria saber se estava tudo ok. Meu pai me pergunta se aquele apartamento não seria o nosso, o mesmo, de Santa Cecília.

O Luís vai embora dois dias depois, talvez tivesse voltado para São Paulo.

Eu e meu pai também partimos de Paris, mas eu fui direto para Palmas, TO. Lá eu ia dar aula.
Encontrei claro o Sérgio, no corredor da escola-faculdade-não sei o que era, junto com outros professores. Daqui uns minutos o sinal ia tocar, e cada prof se dirigia a uma sala. A minha sala era a 10. A sala ficava naquele corredor, mas eu não encontrava a sala. Sem me preocupar muito do que ia fazer na aula, de quem eram os alunos, eu continuava a conversar, mas também não entendia muito do que as pessoas falavam.

Tinha um mosquito colorido, com cara de criança e boné, que abria uma telinha e começava a mostrar vídeos. Era um mosquito raro, disseram pra não matar o bichinho. Um professor já entrou na sala para onde o bichinho voou. O Sérgio também entrou na sala dele.

Eu procurei minha sala, com muita dificuldade achei. Na porta, para confundir, estava escrito assim:
123y X 18-10 D
Pode ser que os alunos colocaram números e letras na porta da sala, imaginei. Lá dentro, crianças e adolescentes, eu não sabia determinar que idade tinham, uniforme roxo. Estavam ensaiando uma peça de teatro. Não sabia se uma das adolescentes do grupo era realmente a professora substituta ou era um papel da peça.

Enquanto isso, o Luís continuava em Paris.
Ele mudou de visual, deixou um bigodinho, o cabelo ficou meio anos 90, estava usando umas roupas de rapper, jaqueta adidas, corrente no pescoço, essas coisas. Tinha um carrão.

Fui me encontrar com ele, estava com saudade. Me levou com uns amigos no carro dele para passearmos. Chegamos numa quebrada, uns caras nos assaltaram. Fiquei meio sem graça de mostrar que eu não tinha euros, meu celular e meu mp3 são velhos e não devem custar nada na França.

UMA PROVA

não sei de onde ela veio, mas era uma prova que eu tinha que fazer. Cheguei na sala de aula, o baque, como assim, o que é isso aqui? Não entendia nada do que estava acontecendo, nem saberia dizer o que eu estudava ali, do que se tratava as perguntas da prova. Gelei.

Resignada, me curvei frente à folha cheia de questões incompreensíveis. De repente, alguém começa a cantar Vai passar, do Chico Buarque – simplesmente próprio Chico Buarque.

Olha aí, ele de novo num sonho – penso eu.

Vai passar é uma das músicas que eu mais gosto dele, que não sou daquelas fãs que vão ao show. Cantei junto, dei risadas da vida, pensei que aquela prova não era nada frente à beleza da música, de todas as músicas.

A sala também começa a acompanhar o Chico e tudo termina feliz. O Chico Buarque não era o Chico Buarque mas o Luís, em quem eu dou um abraço.

TEM UNS SONHOS

que mais são ajustes da realidade que outra coisa. Ajustes, lembretes, antecipação do que se tem que fazer. Hoje por exemplo, eu fui à locadora procurar o filme O testamento do senhor Nepomuceno, que eu vi na época mas do qual eu não lembro nada a não ser a aparência do ator principal, brasieiro. No sonho meu pai queria o livro do escritor, na realidade foi a Lúcia que me pediu. Durante o dia escrevi para ela, na busca de uma resposta sobre como achar A ilha fantástica, do mesmo escritor.

Além disso teve um remake de filme chato francês com uma atriz chata, filme sem pé nem cabeça, e dei bronca em quem achava que tinha que dar e não dei de verdade, mas fico tentando.

DIAS ATRÁS

eu fiz coisas muito úteis como procurar colares e bonitos e conversei com Chico Buarque numa situação inimaginável. Eis o que eu lembro dos dois sonhos:

Ontem estava passeando e resolvi parar numa loja, onde tinha em bancas vários colares bonitos, parecia que a preços módicos. Fui revirando o que ali havia, cheguei num colar de prata, com desenhos de frutos do mar, pedrinhas e tudo. Fiquei encantada. Vi o preço, custava 10 parcelas de 950 reais. Ai que triste. Então a moça da loja começou a me mostrar coisas “para dar sorte”, uma rosa de plástico, uma outra com um líquido que mudava de cor. O líquido quando encostei ficou amarelo, então ela me disse que eu estava seca por dentro. Acordei com sede.

Hoje eu já saí correndo à Cachoeirinha, para o centro cultural onde a Karen trabalha. Ela organizou um show com o Chico Buarque. Cheguei depois da hora que o show começava, mas eu era a primeira pessoa que chegava para o show. Fiquei abismada. Só eu ouvindo o Chico Buarque cantar com violão e só ele no palco. Nem sou tão fã assim do Chico, não sabia cantar todas as músicas, que vergonha. Ele também muito envergonhado. Depois do show, puxei papo com ele, disse que gostei muito de Budapeste, que vou tentar ler o livro novo dele (que realmente lançou, agora). Ele pegou um elevador, foi-se. Eu disse que achei legal tê-lo visto num lugar que não aquelas salas de show caríssimas e lotadas.

HOJE DURANTE

a maior parte do dia, as têmporas palpitando, o suor saindo por todos os poros do corpo, os ônibus queimando as costas, tanto o sol, como agora a noite, tão quentes um quanto a outra, o notebook fervendo sob minhas mãos e a lâmpada que me ilumina agora parecendo que vai me transformar em pipoca…

Certamente me lembro do episódio preferido de Tintim: A estrela misteriosa. Não pelas altas temperaturas noturnas, das cenas que abrem o livro (como o desenho animado): Tintim e Milou estão andando, observando as estrelas, quando percebem que até o asfalto está derretendo de tanto calor.


Na primeira página, o cidadão Tintim entra em contato com o observatório para saber que estrela tão brilhante lhe chamou a atenção… Mó calor e ele nem pra usar uma roupinha mais leve!

É um corpo celeste que cai na terra e vai parar no meio do oceano. Tintim, é claro, parte na expedição dos cientistas bonzinhos. Os americanos saem perdendo, em meio a umas referências anti-semitas aqui e ali.

A estrela misteriosa é um dos episódios mais elogiados de Tintim, a primeira incursão de Hergé na ficção científica.
Tintim é aquela coisa, cheio de coisas politicamente incorretas, ausência total de mulheres, com exceção da feia-pé-no-saco Castafiore, mas mesmo assim é simpático.

ACABOU DE SAIR ESSA SEMANA

a lista dos dez ganhadores do prêmio Landfill, que escolhe as invenções tecnológicas mais inúteis do planeta: aquelas que não valem o uso de recursos naturais, os combustíveis empregados para a fabricação. Os criadores do prêmio, especialistas no assunto, querem mostrar que há muita coisa desnecessária, muitos gadgets ridículos que só poluem o mundo.

Pois então, é legal ver que o ganhador é um cone de sorverte movido a pilha, que gira sozinho, evitando o desperdício de sorvete. Já está esgotado o produto, não adianta querer comprar.
Além disso, tem coisas como:

– uma capa de assento de avião personalizada, para evitar de se contaminar com os micróbios dos passageiros anteriores; “plane sheets” me fez lembrar de “The Italian man who went to Malta”, que coloco aqui para quem ainda não viu;

– um camaleão com entrada usb que não muda de cor;
– um garfo motorizado para girar o espaguete, só que ele é mais lento que a força humana; quem sabe se fosse uma colher motorizada… ahah;
– um navegador gps para o banco do passageiro, para que a sogra pare de encher o saco dizendo qual caminho é melhor seguir – isso é realmente um argumento no site que vende o produto!

No entanto, há também Wii Fit, no sexto lugar e Guitar hero, no sétimo.
Ora essas… colocaram na lista duas coisinhas que gosto tanto. Wii Fit é meu sonho medíocre de consumo, e Rock Band, variação de Guitar hero, é a coisa mais legal de se fazer na casa da Karen. Eles argumentam que para se exercitar, basta sair na rua e para tocar rock, existem os instrumentos de verdade. Se fosse assim, quantas coisinhas simulam outras “coisas de verdade” teriam que entrar na lista também, hein?

COMO TODO COMEÇO DE ANO LETIVO

tive sonhos cujo assunto principal são aulas, colegas professores, alunos antigos e novos. Já sonhei outras vezes que dava aula de alemão sem saber nada do que estava fazendo, em outro só um aluno tinha entrado na sala, constrangido, sem termos idéia de onde estavam os outros… a maior parte desses sonhos traz situações ruins.
Essa noite foi repleta de coisinhas novas, mas mais do mesmo no fim das contas: eu perdia hora para dar aula, porque ficava sem razão em casa, meu pai chamando para ir ao cinema; eu tomava banho e conversava com colegas no banheiro, um deles tentava entrar no banheiro e eu ficava brava. Estava no ônibus na avenida Europa, uma vizinha do prédio muito simpática me liga querendo aula, eu aceito (nem lembro quem ela é), ela diz que preparou um presente pra mim.

Esses sonhos me preparam na marra, de uma certa maneira, ao ritmo das aulas, do imprevisto constante, da firmeza que se deve ter – até o fim do semestre e o recomeço das férias.

PORQUE HOJE É SÁBADO, PORQUE HOJE É CARNAVAL

ou por qualquer outra razão, sonhei que estava no Rio de Janeiro, passando pelo sambódromo que é bem pequeno, se formos comparar com as imagens da rede globo. Sílvia, uma ótima carioca que conhecemos lá, deu a resposta para essa diferença de tamanho: é que eles filmam os desfiles em grande angular. Pode ser. Não entrei no sambódromo, mas achei muito pequeno, mesmo que simpático, ali num cantinho em direção ao centro.


Ao contrário do sambódromo, a confeitaria Colombo me parecia menor do que ela é, pé direito alto que só, grande até o fundo

E é o centro do Rio o que eu mais gosto de lá. Gosto muito do Rio, do pouco que conheço, queria ir mais e mais. Entrar por exemplo na Biblioteca Nacional. Quando viajei ao Rio especialmente para visitar a BN ela estava em greve.

No sonho, o Ciço ia viajar com a gente. Depois de passar de ônibus, rápido, em frente ao sambódromo, ficamos passeando no centro do Rio, vendo os inúmeros bob’s, sucos e mates. A gente comentava a supremacia do Bob’s na cidade, o que era bem visto, porque empresa brasileira (ainda é?). O Rei do Mate, que respeitamos também bastante. Aquele sanduíche tost é ótimo no custo-benefício, que acho que comi um no sonho.


Cine Odeon, por A. Cantuária

Ao redor e redor, o cine Odeon, as ruas frescas, de prédios novos ou antigos. Descobri perto da praça Paris um portal enorme, lindíssimo. Não deve existir de verdade. Era alto, imponente e delicado. De ferro, mas leve que poderia ser de madeira, com motivos florais orientais. Fiquei boquiaberta.


Era um sábado, que rua é não lembro mais

Depois o SAARA, que eu gostei muito quando fomos agora em dezembro, mesmo com muita chuva, milhares de guarda-chuvas abertos no entre-festas (passado o natal, a poucos dias do ano-novo).

O passeio do sonho com o Ciço foi lúdico, didático. Apontava para o alto o telhado da biblioteca nacional, era uma cúpula (ontem essa palavra apareceu numa das atividades de um livro de francês).


Os fundos da BN, por A. Cantuária

Aproveitávamos para escutar Maria Bethânia dizer que gostava muito do centro de São Paulo, mais alguém falar do centro de Curitiba. De isso se ampliar aos centro-da-cidade de todas as cidades, como Santos, que tem um centro gracioso, ainda com muito a descobrir.


Tiradentes, dezembro agora

Indo mais longe, centros históricos, como o de Tiradentes, ou como o de João Pessoa, que é simplesmente encantador; são dois lugares que passamos tão rapidamente que será impossível não voltar.


uma esquina de João Pessoa

Acordei com vontade de ver fotos e mais fotos do Rio, fotos de viagem, e entrando no meu flickr recebo a boa notícia de que uma foto minha de Lyon foi selecionada para ilustrar um guia na internet: schmap. E olha que eu postei a dita foto justamente para falar de um sonho que tive de Lyon.

ESSA HISTÓRIA TODA

de acordo ortográfico, além de movimentar a máquina editorial, as caras consultorias empresariais e dar assunto de conversa em quase todas as rodas (seja na fila do banco, seja no curso de Letras, seja no Jornal Nacional), faz as pessoas pensarem na língua ou não?

Penso nisso além de tudo porque fui ao Museu da Língua Portuguesa esses dias, ver a exposição do Machado (sempre Machado).

No acervo fixo do museu, aquela projeção de poemas, o de Gregório de Matos, muito bem interpretado e realizado com apuro visual, é o único que vem acompanhado da referência da época em que foi escrito: “século 17”. Isso porque seria facilmente confundido com um rap de hoje em dia?


do pouco que conheço, gosto dele, sabe…

Agora com as modificações do acordo, como ficam todas as apresentações fixas do museu? Terão que ser readequadas? Nossa, que trabalhão vai dar.

Não gosto muito das mudanças a que temos que nos submeter: como diferenciar a pronúncia de teia e ideia? Ai que triste…

Será que nessa correção o pessoal do museu vai alterar a grafia de caraoquê (na lista de palavras de origem asiática) para karaokê, como todo mundo usa? Fora o museu e o dicionário Houaiss, poucos são os que ousam escrever caraoquê. Caraoquê me lembra piteça, forma que um daqueles gramáticos doidos queria que fosse dada a pizza.

ERA UMA AULA

de francês chata, a professora parecia uma prof chata do senac, que usava sempre roupas da mesma cor de acordo com o dia da semana.
Eu era aluna, num grupo de 20.
Entramos no pensamento de um colega, que ficou se imaginando num carrão importado, uma mistura de carro antigo com novo, preto e conversível, andando por alguma cidadezinha histórica como Tiradentes, ao som de uma música que a prof colocou pra tocar. Ele se imaginou no vídeoclipe da música, que parecia um Charles Aznavour ou Yves Montand. Pelo cenário, pensei, poderia ser um clipe do Fagner ou Alceu Valença, protagonizado pelo ator João Miguel, que, soube agora, foi escalado para fazer o papel de Lula no cinema. Parece que ele recusou.

De qualquer maneira, achei João Miguel em Tiradentes.

Voltando ao sonho, me dou conta que a música em francês que a prof nos mostrou é It’s oh so quiet da Björk. A Björk então regravou, penso eu.

Começo a cantar do jeito da Björk, e de repente estou dando aulas particulares pra ela – não sei de quê, de francês? Ela está usando uma máscara que cobre o nariz e a boca, mas diz que não precisava mais usar isso. Ela está magrinha. A aula acontece num parque, como um zoo ou horto, vai ficando noite, escuro. Acho melhor terminarmos a aula. Ao sair do parque, crianças querem tirar a bolsa da Björk, ela dá uma bolsada na cabeça de uma menina, dizendo que ali tem o computador dela e ela não pode dar a bolsa. Os guardas soltam rojões e algumas crianças saem nadando, outras não.
Nós resolvemos pegar um táxi.