A MOÇA PARECIDA

com a Ellen Page apareceu num sonho. Ela organizava uma campanha na escola, para ajudar a reorganizar o acervo da biblioteca. Decidiu com uns colegas realizar um grande evento e arrecadar dinheiro. Eu estava lá no dia, com minhas amigas bibliotecárias. Ellen Page conseguiu convidar a Gisele Bündchen que, descobríamos quando ela chegou à escola, tinha estudado biblioteconomia em paralelo à carreira de modelo.

ME VEJO NA RUA

sem roupa nenhuma. O que aconteceu antes no sonho, desconheço. Estou na Augusta, na parte mais movimentada, depois da Antônia de Queirós. É noite. Não estou sozinha. Uma outra pessoa me acompanha, também sem roupa. A mínima ideia de quem seja: uma mistura de amigos e desconhecidos, gente que mora perto e longe, personagem de histórias.

Sonho-padrão, como perda de dentes, queda em buraco, morte. Não estava com vergonha em meio à movimentação da Augusta. Talvez estivesse realizando um desejo-padrão também: ficar invisível.

DE REPENTE ME VEJO

numa livraria, com amigos. Cada um fui para um canto, o lugar grande de cor de madeira escura. Por acaso me deparo com o livro que tanto preciso para minha pesquisa: nele vou encontrar um rumo. É uma edição especial, formato grande, capa dura, mais de 500 páginas, com ilustrações em alta definição. Um detalhe: a encadernação está quebrada. Uma anotação a lápis na primeira página: desconto de 71,38%. Difícil entender se o preço final seria $ 31,87. Levo o livro ao caixa, mostro aos amigos. O moço do caixa não consegue me dizer o preço final. Não percebo que ele e meus amigos estão tirando as ilustrações do livro.

Finalmente: levei ou não o livro comigo? Não sei.

EU ANDAVA

muito pela cidade, meio cinza como ela está, mas era na Polônia. Estava com um livro para ler e um disco de uma cantora para cantar junto. Não consigo lembrar se a cantora existe só no sonho; as músicas eram geniais. Chego na Santa Casa, moças vão saindo aos pares, felizes, dando sorrisos e olhando para trás, em direção ao jardim. Fico pensando no que os médicos disseram a elas.

A mãe de um amigo está lá com uma criança, ambas doentes. Ofereço suco. Ela é rude comigo, resolvo ficar lendo no jardim. Lá chega um outro amigo: ele começa a cantar comigo as músicas da cantora, ficamos felizes, comentamos as melodias, as batidas, as letras, saímos andando pela Amaral Gurgel. Assim felizinha com essas músicas perdidas eu acordei.

O CANDIDATO A DEPUTADO

estadual tinha uma família simpática: a esposa, um filho, uma filha; talvez cachorro. Ele chamou a Karen e eu para conversarmos em seu apartamento. Não podíamos ficar muito, porque a gente tinha combinado de sair com a Maíra. Comemos hambúrguer, feito naquelas grelhas que deixam escorrer a gordura. A família nos acompanhou até a porta da rua. Lá o filho se mostrou um pouco rebelde, problemático demais – percebemos que havia algo de muito estranho na família. O menino pegava um molho de chaves e queria jogar para dentro de um carro.

Acordei com o celular, Maíra me chamando para sair. A Karen ligou o filho-problema-do-deputado ao filho do José Costa, personagem principal de Budapeste. Terminei de ver um filme e só pude voltar a dormir.

INDO E VINDO, DE NOVO

tanto nos meus sonhos – de carro e a pé, junto com minha professora, dizíamos que qualquer caminho vale, que todos, por mais sinuosos e complicados que sejam, levam ao ponto de chegada. Subíamos de carro umas ruas arborizadas, cheias de casinhas, como se fosse ali pelo Pacaembu, mas com um ar mais hospitaleiro, não sei dizer. Chegávamos num ponto alto, um prédio antigo, janela ampla, festa no primeiro andar. – É uma festa de médicos, eu dizia.

como na vida – e indo e vindo, lá e cá, uma coisa vale pela outra: vale pelas pessoas e pelos abraços que dou e recebo, partindo e chegando.

FUI VER A GRAVAÇÃO

ou um ensaio, não sei ao certo, de uma banda. A vocalista era a Cássia Eller, que também tocava guitarra. Os outros músicos eram uma mistura de bandas que não existem mais, de pessoas que já podem também ter morrido: Marcelo Fromer, Chico Science, Tim Maia? A música é pesada, mistura ainda de tudo: nordeste, rock. A Cássia Eller tem o corpo todo tatuado, com traços para se fazer furos e cortes na pele – algo que lembra O livro de cabeceira. Ela pede para descansar um pouco entre uma música e outra, vai lavar as mãos na pia.

Todos os outros muitos sonhos de que me lembro, de hoje à noite, foram ensaios, preparações, passagens de som.

DUAS MULHERES

uma delas era minha mãe; ela me contava que foi ao salão de cabeleireiro. Estava ajudando um travesti; ele recebe uma ligação telefônica, precisa correr porque marcou um encontro. Ele se arruma com pressa, ao som de uma música que ele mesmo também dubla, em algo que vira um vídeo que circula pela internet.

Outra, em vez de me mandar um texto que precisava, prepara uma grande refeição, deliciosa. Tudo pensado para o meu gosto culinário, bolinhos de massa de legumes, doce e salgado, peixe. E para terminar o sonho, uma cuia de cuscuz marroquino cheia de pimenta biquinho, um gosto inigualável. Enchia colheres de caldo vermelho que se misturava ao amarelo da sêmola.

COM O CALOR DA TARDE

os dedos se seguraram entre as páginas do livro e veio um pouco de sono. Não demora nada e eu começo a sonhar com alguma coisa: de tão interessante, genial até, algo consciente quer se manifestar, comentar, guardar. É quando acordo e percebo que me esqueci de tudo desse pequeno sonho. Só lembro que conversava animadamente sobre Barthes, uns sorrisos, talvez alguns personagens – não sei se vontade minha de que eles estivessem ali, coisa de sonho que poderia ser verdade.

ESTAVA NO KOWEIT

(com essa grafia mesmo, por mais que pessoalmente eu prefira Kuwait). Um guia me acompanhava, um senhor muito alto e magro, vestido com roupas típicas, de cor roxa. Simpático, explicava como tudo funcionava. Eu andava com um xale nas mãos, e perguntei a ele se eu devia cobrir minha cabeça, meus cabelos, como as outras mulheres. Ele me respondeu que não precisava, mas me deu uma razão prática para se cobrir: eu não precisaria me preocupar com o visual do meu cabelo, se estava bem cortado ou penteado. E as estampas dos lenços e xales são sempre mais bonitas que os cabelos… – não lembro o que fiz com esses argumentos.

Continuamos andando e vimos à direita uma mesquita, que alguém chamou de ‘igreja’ e eu corrigi. Logo ao lado, uma grande tenda, onde pessoas comemoravam um casamento, dançando em círculo. E, ainda pertinho, um supermercado, onde tranquilamente as pessoas faziam suas compras, ouvindo os sons da festa de casamento.