ERA NA ÉPOCA DA ESCOLA

e estávamos organizando aqueles campeonatos de futebol, dos quais eu nunca participei; no sonho eu fazia parte da equipe de apoio ao jogadores, nos primeiros socorros. Entre os colegas que realmente jogavam bem (um deles até realmente virou jogador, foi jogar na Grécia…), estava o Neymar – ele mesmo. O jogo começa, ele passa mal, fica desacordado. Levo para o vestiário e eu o jogo numa banheira cheia de água (isso lembra o filme a Origem), e assim no susto ele acorda e continua a partida.

Outro sonho: pessoas visitavam meu prédio e eu redescobria algo interessante nele: um fosso que percorria os apartamentos, todos os andares. Não muito grande, ficava num canto da sala. As pessoas aproveitavam para colocar prateleiras com livros, cds, dvds. Eu usava o fosso para subir para o meu apartamento. Era um perigo de vida, cansativo, mas era gostoso ir subindo por dentro das casas dos meus vizinhos. Às vezes os filmes nas outras estantes lembravam coisas minhas do passado. Aos visitantes, no térreo, eu explicava esse sistema tão estranho. Meu pai me chamava de lá do alto.

RECEBIA UM EMAIL

só um, no sonho; destacava-se dentre os já lidos. Abria: fora o oi e o nome de quem me mandou, uma frase só: “ah, você só poderia ser você mesmo!” Ao ler essa mensagem, ria um pouco, desconcertada. Fechava e abria o email, como se o conteúdo pudesse mudar – não mudava. Eu era eu.

Antes disso eu me perdia em vários corredores de uma feira de universidades, um lugar antigo, com cores creme, alguns corredores mais novos, outros parecendo um lugar no Mediterrâneo. Esse lugar ficava num terreno de subidas e descidas, casinhas de pedra, chão de pedra. Depois de o carro onde eu estava quebrar a pouca distância dali, de me perder do grupo que estava comigo, eu conversava com uma representante do estande do Japão. Poderíamos ter um acordo, eu era favorável. Dizia para ela que as políticas diplomáticas brasileiras são baseadas na reciprocidade.

ESTAVA NO RIO

e queria ir muito à cobal do Humaitá – vontade recorrente de sonho. Estava com umas moças. Elas queriam ir  de ônibus, não estávamos longe. Perdemos alguns, mas chegou um em que todas subiram: um ônibus com um bufê de degustação. Entre os bancos, uma mesa comprida com geleias, licores, pães e bolos. Numa parte mais acima, coisas de chocolate: brownie, brigadeiro. Sentei logo depois da porta; parecia só haver mulheres naquele ônibus. Uma moça servia a todas as outras, passava geleia num pedaço de pão que eu peguei, com uma faquinha de plástico. Ela misturou geleia de figo com morango.

Uma das mulheres que comia no ônibus era uma professora de espanhol, que conversava sobre uma fruta, ‘delique’, típica do Havaí. Eu já via essa fruta: era um morango mais estreito e amarelo, que crescia em árvores frondosas.

ENCONTRAVA DOIS COLEGAS

com quem trabalhei. Um deles ficava quieto me observando, sorrindo às vezes. Outro queria conversar comigo, mas tudo o que ele falava era incompreensível, precisava perguntar duas ou três vezes o que ele queria dizer. Algo me faltava: atenção, audição, contexto (ele me falava de algo que só depois, no sonho mesmo, eu descobri que era um site sobre cinema). Perguntei sobre o filho: acho que ele quis evitar o assunto.

A IMPRESSORA

estava ligada, eu dormia – sonhava que dormia e acordava com o seu barulho. Era a minha irmã mandando um fax pela impressora, que não é multifuncional. Espantada, vejo que minha irmã descobriu um uso que eu desconhecia – colocava-se o papel, a impressora puxava para cima como se fosse imprimir, mas o barulhinho era aquele de fax sendo enviado. Ela estava brigando com o banco, conversando ao telefone com uma atendente como se fosse uma colega próxima sua. Como eu queria voltar a dormir, voltei a dormir e o sonho acabou.

UM ALUNO

meu, que já tem uns cinquenta anos, estava adolescente no meu sonho. E eu era professora da escola: ele no meio de vários outros alunos como ele, iam se tornando irreconhecíveis, difíceis de discernir – quem é quem? Todos muito iguais, agindo como um grupo, de uniforme. A professora, como a aquela do Petit Nicolas, sem muita força para lutar contra a maioria, contra os espaços imensos – corredores, pátio e escadarias – da escola.

DOIS SONHOS

mãos se estendem; querem pegar ou largar?

no primeiro, a professora me repreendia, criticava, reprovava tudo o que eu fazia; eu me alterava, chorava, tentava me defender como podia; nada adiantava. A professora ria ao me ver naquele estado.

Em outro, eu estava dando uma palestra em conjunto com outras pessoas. Falava de tudo e de nada. Era algo como um relato pessoal sobre questões da educação superior. Defendíamos os cursos amplos, abrangentes, e nos colocávamos contra cursos muito especializados. As pessoas se movimentavam, eu não sabia onde ficar, pra que lado me dirigir.

AVIÕES CAINDO

um atrás do outro. Estávamos na rua e todos os aviões no ar perdiam controle e iam caindo. Horrível vê-los se espatifando em cima de casas, no meio da rua, o barulho de desespero geral. Na televisão, que víamos num bar, o noticiário falando sobre isso. Perguntamos às pessoas o que tinha acontecido. Disseram que os aviões tinham “perdido os nós”. Decidi acordar.

Depois eu tinha que brigar com um cara grande, um armário. Estávamos discutindo, em casa (mas era na Praia Grande), sobre um serviço que ele tinha feito e como pagaríamos. Dei 200 reais em dinheiro. Exigimos o recibo. Ele nos enrolou e não deu. Fiquei com vontade de dar-lhe uns golpes de kung fu, mas ainda sabia pouquinho. E além disso, o kung fu não serviria pra isso. Mesmo assim fiquei treinando uns movimentos.

FUI VIAJAR

senecio, paul klee

talvez tenha largado tudo, ou talvez as férias já tivessem chegado. Sei que cheguei na cidade cheia de sol, sem mar, só terra seca, uma casinha nova para visitar. Uma senhora de cabelos brancos olhou para mim e disse: – ahn, então é você? – sim! Era só o que eu sabia responder, era como se não falássemos a mesma língua.

E não falava a mesma língua de meu anfitrião, um sotaque forte que escondia toda uma distância que não sabíamos como diminuir. Muita conversa de silêncios. Ele me mostrou as fotos de Akemi, menino com nome de mulher em japonês. Ele dizia que eu tinha conhecido Akemi na viagem anterior. Não lembrava.

Sentamos na calçada da rua calma de sua casa, olhando o céu e o sol, sem fazer nada. Uma televisão ao longe. Eu  via meu anfitrião como um retrato cubista, seu nariz parecia sua orelha, os cabelos uma parte da barba.

Em outro sonho eu era uma camareira de hotel que acaba se tornando próxima de um cantor de rock meio desconhecido. A porta do quarto tinha uma chave como tramela. O cantor de rock adorava conversar com todo mundo. Era como se fosse um Heath Ledger velho, como se ele não tivesse morrido e se tornado cantor barato. Lembrávamos daquele filme em que ele foi cavaleiro medieval, que eu não vi.