ESTANTES CHEIAS

demais. Sonho recorrente, da última semana.

Ou são muitos dvds, grande parte que eu não assisti, em dois lugares. Não há espaço para deixar todos juntos. Como separá-los, sob que critério? Fico arrumando de duas ou três maneiras, não há conclusão.

Sempre nesses sonhos com livros, cadernos ou livros, todos parecem maravilhosos. Tanto as capas são coloridas, convidativas para o mundo que eles guardam silenciosos.

As capas coloridas dos livros à minha direita também não cabiam no espaço que lhes era reservado. Isso foi o sonho de ontem pra hoje. Como costumo fazer em outra estante, faço duas fileiras de livros. Só que no caso do sonho eram (mais) DVDs que ficavam na fileira de trás, escondidos. Maravilhosos também, segredos que eu deixo lacrados para mim mesma, aquela do futuro que receberá presentes e realizará seus desejos.

OS GÊNEROS

principais cabem em “O segredo de seus olhos”, no imdb: thriller, romance, drama, comédia, filme de crime; ainda reúne uma lista de “palavras-chave” curiosas. Uma me pareceu interessante: “local blockbuster”.
Podia ter uma palavra-chave assim: “funcionalismo público”. Caberia como uma luva!
O diretor, além dos filmes com toques de engajamento, também dirige seriados para a tevê nos eua, descobri isso agora também. Assim como Darín participou de um episódio de Chiquititas argentina.

O filme, como essa maneira de falar dele, é um pretexto. O filme me fez pensar em deixar um caderno bem do lado da cama, e anotar o que vem no sonho. Que sonho ele teve naquela hora? Parece que esse sonho, se foi colocado no filme, é feito para que nos esqueçamos dele. Boa sacada do roteiro, dentre tantas.

Além disso, uma pequena ponte entre O segredo de seus olhos e O filho da noiva: a questão do tempo longo que passa mas que não apaga nada; parece que traz de volta algo quando na verdade nunca esse algo nunca foi embora. Guardar um caderno em branco, um recorte de jornal esperando o dia em que ele vai dizer alguma coisa. Dizer porque o tempo passou.

UM ANO ATRÁS

exatamente, 28 de janeiro de 2009, eu falava de mexer nas coisas guardadas, aproveitar o tempo mais livre de janeiro para rever tudo, organizar, jogar fora.

E hoje também a tarde foi da mesma coisa. Nada mudou? Prefiro pensar que estou jogando mais coisas fora do que antes, ou sabendo guardar.

O que não muda: o fato de que há coisas completamente apagadas, que eu só recupero porque tenho um papel: um tíquete de entrada, um catálogo, um cartão de visitas, um cartão postal, uma anotação em folha de caderno arrancada, um marcador de páginas.

Aproveitei e reli o diário que fiz em 2005 quando fui para a França. Também coisas que tinha esquecido junto com as coisas de sempre: anotações de sonho, desenhos, falar sobre a distância que eu construo ao redor das pessoas, falar sobre escrever.

Esse papel aqui: nenhuma ideia de onde veio, nojento e incompreensível. Isso me lembrou outro papel desconhecido, nojento e incompreensível também, que caiu na minha mochila quando fomos à Curitiba, Karen e eu; se nunca escrevemos sobre essa história, vale um dia escrever.

CHEGAR MAIS PERTO

indo longe.

É como eu estou tentando definir “Berkeley em Bellagio”, que li hoje. Pode ser por conta de tantas outras coisas acontecendo e que estou lendo, o livro me pegou. O resto do dia (comecei o livro umas 10h, no metrô Santana, peguei a linha verde e descobri a recém-terminada estação Sacomã, com plataforma protegida por portas de vidro, como a linha 14 em Paris; dei voltas na linha verde, desci na estação Brigadeiro, por lá terminei e voltei para casa com as primeiras gotas da chuva muito forte) fui andar ao redor de escritas que o Noll me trouxe.
A Vanessa, que estuda justamente ele (como foi mesmo que começamos a nos falar? será que eu mandei o cartão postal pra ela?…); o Barthes, pensei muito em Incidentes e Noites de Paris, que justamente terminei de ler hoje também; essa busca desesperada por afeto.

Mas também a outras: as fotos que precisavam ser melhor organizadas, essa coisa de estação do metrô abrindo e o preço do transporte subindo, as chuvas cada vez mais fortes, o terremoto do Haiti e Dany Laferrière está lá, escrever emails como se fossem cartas, os textos e as pessoas que estão nos meus textos.

E mesmo ao caderninho azul.