A RUA PAIM FICOU

sem mais algumas casinhas, demolidas nesses últimos dias, onde anos atrás funcionavam a cantina Posilippo, uma loja de jornais e produtos de papelaria, artigos para construção, marcenaria.

A rua Paim que se vê pelo Google street view já é muito diferente da que passo todos os dias. As imagens que captaram são de antes da copa, que fotografei. Mais algumas casinhas serão em breve demolidas, já com portas e janelas fechadas por blocos de concreto. A árvore da calçada vai continuar ali?


Talvez o problema nisso tudo seja a minha dificuldade de imaginar a rua com os prédios que nos anunciam.

MINHA CÂMERA

anda desregulando o foco, já faz uns meses. Ainda não levei para o conserto. Fico esperando que seja algo passageiro, que ela vai acertar na próxima foto. E até acerta, quando insisto, quando eu mesma tento um outro ponto de vista. Quando não, me divirto com o efeito fora de tom que sai das coisas – que são, não tem jeito, sempre de outro jeito.

UMA OUTRA VONTADE

foi ter guardado a foto desse livro:

era leitura da faculdade, peça de Beaumarchais (ou O barbeiro de Sevilha ou As bodas de Fígaro, ou as duas, visto que uma é continuação da outra). O que a foto diz do enredo? Não sei mais, sei lá se eu sabia na época. A data da foto, diz aqui, é 15 de junho de 2006. Ficou só ela, tirada mais ou menos na mesma posição em que me encontro agora enquanto escrevo.

A RUA PAIM

faz parte da minha rotina: passo por lá quase todo dia; é uma das melhores vias de acesso para chegar em casa. Ela sempre foi mal falada. Há ali um treme-treme e, a caminho da Frei Caneca,  inúmeras casinhas, que reúnem muita gente. O pessoal no fim-de-semana põe a cadeira para fora de casa, os bares tocam música alto, as crianças jogam bola no meio da rua, o lixo se acumula nas calçadas.

Eu poderia elencar só inconvenientes, mas não. Muito tempo conhecendo e morando por perto, vejo que as pessoas vivem muito próximas. E há muito tempo ali, construíram laços. Assim como eu vejo muita gente que cresceu lá, também devem perceber que eu passo por ali faz muitos anos.

Ultimamente, com o crescimento da região, algumas casas começaram a ser demolidas. Empreendimentos que já se generalizaram na Frei Caneca, depois do shopping, chegam agora mais para baixo. E ameaçam toda uma vida dessa rua, barulhenta mas amigável.

Nessas casinhas, além de residências, há toda uma quantidade de serviços: um senhor que conserta bicicletas, uma costureira, três bares, uma casa do norte, uma lojinha de produtos variados (vassoura, brinquedos), uma pizzaria, uma loja de materiais eletrônicos usados (com minilocadora de dvd), uma senhora que vende pamonhas, outras pessoas que vendem churrasquinho, um barbeiro, uma marcenaria, uma loja de roupas…

No lugar disso tudo, só portarias de prédios?

Já não há mais: uma padaria (a mais perto? na Frei Caneca somente…), uma fábrica de ar-condicionado, uma banca de revistas, uma papelaria, uma loja de produtos para festa, um restaurante típico italiano, o Posilippo. Onde vai subir um prédio tempo havia, faz dez anos, uma granja que vendia galinha caipira. Será que a casa branca, onde hoje funciona a farmácia, vai continuar por lá?

Não lembro se outras vezes a rua se decorou tanto para a copa. Com que cara estará a Paim na copa seguinte?

A FOTO É PEQUENA

mas foi o que eu consegui, com os meios que tinha, registrar da paisagem do café do Sesc Paulista, que está fechando. Passei a tarde de ontem lendo e escrevendo lá, e vendo o grande número de pessoas que foram ao café para aproveitar “seus últimos momentos”. Vários turistas também, como deve ser de costume. Algumas pessoas ficaram tanto tempo quanto eu (cheguei 15h e saí eram mais de 20h), conversando, lendo ou tirando fotos. O pôr-do-sol foi bonito, laranja. Ventava mas não passei muito frio. As nuvens cinzas não se transformaram em temporal.

*

Sonhei que fui à aliança e o diretor (um cara que se parecia com o Bill Clinton) me chamava para trabalhar lá, mas me oferecia muito pouco, algo como 5 reais/ hora. Me fez esperar um tempão fazendo cálculos para ver se podia me pagar mais. Enquanto isso contava que ia passar o resto da vida no Brasil, vestido de índio (mas era um vestido de índio como as fantasias de criança), numa cidade onde se passava a novela Corpo dourado. A esposa dele estava de acordo. Eu já via o cara vermelho correndo no mato com um cocar comprado na loja de fantasias.

POR ACASO

juntamos dois passeios com a mesma temática hoje: museu Lasar Segall, com a exposição de Hildegard Rosenthal e Horacio Coppola e exibição de São Paulo sinfonia da metrópole no Sesc, com acompanhamento musical ao vivo.

O olhar atento tentando descobrir que cantos da cidade a imagem conseguiu guardar. A sedução dos anos 20-30-40-50… tudo o que seja suficientemente passado. Os prédios em construção se levantando em todo canto, os carros enchendo as ruas, o amontoado de gente que não cabe na calçada. Será mesmo muito diferente de hoje?

PORQUE HOJE É SÁBADO, PORQUE HOJE É CARNAVAL

ou por qualquer outra razão, sonhei que estava no Rio de Janeiro, passando pelo sambódromo que é bem pequeno, se formos comparar com as imagens da rede globo. Sílvia, uma ótima carioca que conhecemos lá, deu a resposta para essa diferença de tamanho: é que eles filmam os desfiles em grande angular. Pode ser. Não entrei no sambódromo, mas achei muito pequeno, mesmo que simpático, ali num cantinho em direção ao centro.


Ao contrário do sambódromo, a confeitaria Colombo me parecia menor do que ela é, pé direito alto que só, grande até o fundo

E é o centro do Rio o que eu mais gosto de lá. Gosto muito do Rio, do pouco que conheço, queria ir mais e mais. Entrar por exemplo na Biblioteca Nacional. Quando viajei ao Rio especialmente para visitar a BN ela estava em greve.

No sonho, o Ciço ia viajar com a gente. Depois de passar de ônibus, rápido, em frente ao sambódromo, ficamos passeando no centro do Rio, vendo os inúmeros bob’s, sucos e mates. A gente comentava a supremacia do Bob’s na cidade, o que era bem visto, porque empresa brasileira (ainda é?). O Rei do Mate, que respeitamos também bastante. Aquele sanduíche tost é ótimo no custo-benefício, que acho que comi um no sonho.


Cine Odeon, por A. Cantuária

Ao redor e redor, o cine Odeon, as ruas frescas, de prédios novos ou antigos. Descobri perto da praça Paris um portal enorme, lindíssimo. Não deve existir de verdade. Era alto, imponente e delicado. De ferro, mas leve que poderia ser de madeira, com motivos florais orientais. Fiquei boquiaberta.


Era um sábado, que rua é não lembro mais

Depois o SAARA, que eu gostei muito quando fomos agora em dezembro, mesmo com muita chuva, milhares de guarda-chuvas abertos no entre-festas (passado o natal, a poucos dias do ano-novo).

O passeio do sonho com o Ciço foi lúdico, didático. Apontava para o alto o telhado da biblioteca nacional, era uma cúpula (ontem essa palavra apareceu numa das atividades de um livro de francês).


Os fundos da BN, por A. Cantuária

Aproveitávamos para escutar Maria Bethânia dizer que gostava muito do centro de São Paulo, mais alguém falar do centro de Curitiba. De isso se ampliar aos centro-da-cidade de todas as cidades, como Santos, que tem um centro gracioso, ainda com muito a descobrir.


Tiradentes, dezembro agora

Indo mais longe, centros históricos, como o de Tiradentes, ou como o de João Pessoa, que é simplesmente encantador; são dois lugares que passamos tão rapidamente que será impossível não voltar.


uma esquina de João Pessoa

Acordei com vontade de ver fotos e mais fotos do Rio, fotos de viagem, e entrando no meu flickr recebo a boa notícia de que uma foto minha de Lyon foi selecionada para ilustrar um guia na internet: schmap. E olha que eu postei a dita foto justamente para falar de um sonho que tive de Lyon.