— era com isso que eu tinha sonhado. Um copo de vidro, daqueles de requeijão, e leite achocolatado. Seguramente, colocavam um pouco de açúcar, para adoçar ainda mais a mistura. Era isso o que eu bebia todas as manhãs. Provavelmente, tinha pão com manteiga, ou banana, para acompanhar.
Certa vez, sonhei que o copo com nescau tinha sido deixado pela minha avó embaixo da cama, onde eu dormia. Ela teria feito isso como uma surpresa, para mim, antes de eu acordar. No sonho, eu acordo, pego o copo ainda deitada e logo bebo o leite que eu tanto gostava.
Mas o que aconteceu depois do sonho? Eu acordei, do mesmo jeito que tinha acordado no sonho. Só que dessa vez não havia nada embaixo da cama. O leite com nescau estaria na cozinha, como sempre esteve todos os dias da vida.
Cheguei à cozinha triste. Perguntei à vovó: “cadê o leite que você colocou embaixo da minha cama?” Ela não deve ter entendido nada da minha pergunta.
Talvez já naquele momento eu teria compreendido que há sonhos muito parecidos com a realidade. Às vezes até paralelos a ela. Esses sonhos ao mesmo tempo são próximos e distantes do que vivemos. Seriam uma outra vida?





Hannah e suas irmãs, Minha noite com ela, jogo de corrida de carros nas cidades, Waking life, A origem, Alta fidelidade, 500 dias com ela, Amélie Poulain, Seattle nos anos 90, terremotos em 1910, pontes e mais pontes foram criando um sonho assim: eu, e mais alguém, saíamos por San Francisco ensolarada. Primeiro uma loja de LPs, depois a gente corria para uma loja de móveis e artigos de casa. Quando me dava conta, voltava pra rua, muito reta, mas cheia de subidas e descidas bem sutis. O celular me acorda – e percebo que meu sonho era uma vontade de voltar no tempo.