DOS DISCOS DAS MANHÃS

de sábado e domingo, alto na vitrola, esse ocupa um lugar central. Era daqueles que agradava tanto meu pai, como minha avó. E a mim, essa capa preta, o traço branco, o olhar tranquilo e ao mesmo tempo inquieto, sentada na cadeira de vime que poderia estar no nosso quintal. Devia saber que era uma cantora já morta, meio mito. As cordas (e ela não tinha anos antes manifestado contra a guitarra elétrica? – me pergunto agora) pareciam levar a cantora para o espaço, num céu sem estrelas, como a capa preta do disco, em meio às manhãs de sol dos finais de semana  – cantando “sou caipira pirapora” com o sino do trem saindo do túnel.

DO MONTE DE COISAS

que nos atravessam todo dia, nomes, sons, lembranças e notícias, pouco fica – e não haveria outro jeito. E o que fica, para mim, é o que consigo colocar numa narrativa, uma história mínima que seja, que prenda esse fio solto a outros fios: uma pessoa existe, veio de um lugar, é rodeada de outras pessoas, que se juntam  num bairro, numa cidade. Das coisas que faz, preciso criar um sentido, mesmo que inventado.

Isso tudo, vai saber porquê, pensei pensando no documentário Dzi croquettes, que fui ver ontem. Ou talvez o porquê não seja tão difícil de encontrar: o ponto de vista duplo do filme (histórico e pessoal) resgata e inventa uma infância.

ENCONTRAVA DOIS COLEGAS

com quem trabalhei. Um deles ficava quieto me observando, sorrindo às vezes. Outro queria conversar comigo, mas tudo o que ele falava era incompreensível, precisava perguntar duas ou três vezes o que ele queria dizer. Algo me faltava: atenção, audição, contexto (ele me falava de algo que só depois, no sonho mesmo, eu descobri que era um site sobre cinema). Perguntei sobre o filho: acho que ele quis evitar o assunto.

A IMPRESSORA

estava ligada, eu dormia – sonhava que dormia e acordava com o seu barulho. Era a minha irmã mandando um fax pela impressora, que não é multifuncional. Espantada, vejo que minha irmã descobriu um uso que eu desconhecia – colocava-se o papel, a impressora puxava para cima como se fosse imprimir, mas o barulhinho era aquele de fax sendo enviado. Ela estava brigando com o banco, conversando ao telefone com uma atendente como se fosse uma colega próxima sua. Como eu queria voltar a dormir, voltei a dormir e o sonho acabou.