DEVENDO UM POST

faz mais de um ano, para o Luís.
Com o surgimento recente de alheios alhures, pensei que seria o momento de concretizar. Mas pensando bem, melhor não lá, mas aqui mesmo.

Tudo pode começar assim. O Luís lembrou da capa de um disco do Angra, que era parecido com um fichário que o Lair tinha, quando eles estudavam juntos. Tanto o fichário como a capa do disco tem uma rosa-dos-ventos, como nos mapas antigos, amarelados não sabemos se pela passagem do tempo ou se o papel já tinha aquela cor na época das grandes navegações.

Fichário e capa: ambos se ligam ao relógio da promoção da parmalat. Ambos, Luís e eu, na época distantes como de Jabaquara a Santa Cecília, escolhemos justamente o relógio de rosa-dos-ventos quando terminamos de juntar os 100 selinhos de leite. Era de longe a melhor das opções.

O Luís deve ter reconhecido o relógio numa foto minha.
Como todo relógio gracinha, como os swatchs, eles quebram depois de um tempo. A caixa, de plástico, não resiste e não há muito conserto que dure. Tanto é que eu tenho uns relógios guardados que não servem hoje a não ser para guardar memória.

Além disso, pensar mais e mais em mapas me leva também a me perguntar sobre as cores que o google maps usa para as estradas dos países na europa. Por que são verdinhas na Grã-Bretanha, ficam laranja na Bélgica, Países Baixos, Alemanha e França, depois mais vermelhinhas na Itália, Suíça? Tem mais bosques na Alemanha? Por que na Escandinávia os terrenos são cinza?

Decisão: esse post vai virar uma série. Eis o final do primeiro episódio.

UMA DAS COISAS

mais legais de se fazer em janeiro é justamente arrumar armários e gavetas. Tirar caixas empoeiradas do quarto de bagunça, descobrir vestidos escondidos que você nunca usou no fundo do guarda-roupa. Mandar sapatos velhinhos para o sapateiro, trocar as plantinhas para vasos maiores, doar livros para bibliotecas, amigos e afins. Organizar os papéis todos, extrato de banco, certificados de palestras, fotos de viagem, cartões postais bobinhos.
Jogar muita coisa fora.
Isso tudo eu consegui fazer.

Falta assistir a milhares de filmes arquivados no computador, outros em DVD na estante, emprestados que eu não devolvi, meus que eu comprei e nunca vi.

Entre outras coisas dessas, comecei um projeto ambicioso e importantíssimo: passar as fitas cassete que tenho para meio eletrônico. Salvá-las do apagamento que vai acontecer mais cedo ou tarde.

Dá medo perder tanta coisa que eu gravei com meus irmãos na pré-adolescência, com o nosso primeiro gradiente.


Essa foto achei na internet, mas o nosso está guardadinho, uma das poucas coisas que conseguimos conservar!

Além de gravar muita música das rádios, coisas como George Michael, Information Society, Boy George, Paula Adbul, entrevista da professora Helena do Carrossel, a gente fazia os nossos próprios programas de rádio. Eram entrevistas, músicas que inventávamos, ou fazíamos regravações, como a música de Fagner na abertura de Pedra sobre pedra. Durante a época das eleições, tínhamos o nosso próprio horário político.


Tirei a foto simpática dessa página aqui, que reúne fotos lindas de cassetes

A gente comprava fitas dessa daí, Ferro Extra, o que era um enorme avanço: melhor qualidade do som, duração de 90 minutos, 45 de cada lado.

As fitas eram poucas, às vezes tinha que regravar coisas, apagar outras. Era assim, uma pena.

Tanto que um dia peguei uma fitas dessas laranja, que meu pai tinha gravado com meus bábábá de bebê, eu fiz uma entrevista com a família. Começava assim:

“Hoje é 31 de dezembro de 1992, último dia do ano. Estamos aqui com a Gabriela. Gabriela, esse ano foi um dos mais marcantes para você? O que você mais gostou nesse ano, um dos anos mais legais?”

1992 tinha sido legal para mim porque fui para a quinta série, eram vários os professores, tinha matérias novas na escola. Por isso.

Essa parte da fita, sei lá eu como, foi apagada enquanto estava tentando passar pro computador, não existe mais.