GRANDES ESPAÇOS

são constantes nos meus sonhos. Grandes e lindos, eles muitas vezes se movem.

Foi o caso de um sonho muito bonito, semana passada. Estava no apê do Cícero. Era e não era onde ele mora. A questão é que da janela víamos prédios se moverem, como se estivéssemos num trem. Ficamos com vontade de passear e conhecer um desses prédios raros e belos.

Era um mosteiro, algo assim. Estava correndo o risco de ser demolido, mas felizmente conseguiram recuperar a construção. Transformaram num spa, num hotel. Há duas alas, com rampas – algo semelhante pode ser visto em Higienópolis, bem menorzinho do que no sonho.

Uma ala para homens, outra para mulheres. Entramos na ala dos homens, eu invadindo território que não poderia. Tudo cheio de cores azuis e rosa em vários tons. Uma antiga capela continuava no lugar, diferente: nela a gente escorregava no chão, como num tobogã. Quem fez a capela assim? Queria ler o que estava escrito nas paredes e não conseguia.

Me escondendo, vi em outra sala uns homens dentro de banheiras, dormindo.

ERA UMA GUERRA

eu fazia parte do exército, soldado raso com arma na mão.

Uma operação noturna estava programada. Um chefe nos conduziria a um lugar a ser invadido. Os inimigos estariam por perto. Todos de preto como num Counter strike (ou como eu imagino que deveria ser um counter strike).

A chefe nos tranquiliza dizendo que será fácil, nossas armas possuem mira automática. Isso quer dizer que elas já estavam pré-programadas para acertar o alvo, pouco importava a direção em que eu apontava, e eu era meio inexperiente nessa coisa de guerra, a arma traçaria uma reta (por dois pontos passa uma única reta) com laser.

E eu vi o laser da minha arma se mexendo mesmo, fixo no alvo. E justo no alvo, todos os lasers de todos os soldados convergiam. Uau.

Ficamos à espera do comando. O problema é que um soldado inimigo se aproximava, eu o via, mas não podia sinalizar porque estava escuro; não podia falar pq estava silêncio. O soldado se deu conta da minha presença e facinho me matou com um tiro. Operação fracassada.

Morri, o sangue esfriava no meu peito. Ainda assim pude dizer que aquela arma era uma besteira.

DO MESMO JEITO

que ela uma vez achou num texto meu um pouco de si, eu vi num poema seu tudo o que eu posso dizer sobre o que está acontecendo.

Poema parco

E o que se tornará
Além dessa ânsia de abismo
Dessa certeza de ar
Desse chão que evapora?

Seu efeito
Tenho certeza em abismo
Palavra em desmembramento de significante
O concreto não delineado, chão a evaporar
Mas quero por algum motivo
Essa textura de nuvem, esse movimento
Premeditado, essa conversa muda

vanessa soares de paiva, s/d.

Além disso:

– sonhei que era uma bandida num bairro como o Ipiranga, mistura de centros velhos de cidades diferentes, casas coloridas, gangues. Uma feira de livros, eu via a coleção da Perspectiva – e conseguia ler o que estava nas capas! Tinha ao menos os clássicos, O teatro épico de Anatol Rosenfeld e o Personagem de ficção – leituras do primeiro ano de letras. As capas eram antigas, amareladas, mesmo o laranja tinha muito de amarelo. Um senhor desdentado no meio da rua puxa briga comigo, tira a peixeira, eu tiro uma faca também e começa a luta, interrompida pelo despertador.

– há mais, mas a chuva é muita, mas eu preciso dormir.

AS MENINAS PODIAM

ser bonecas.
Era um brinquedo que transformava, durante a brincadeira, a menina que brincava no brinquedo que ela tinha nas mãos.
Mas acho que isso só acontecia com as crianças, eu era adulta como sou e ficava só observando o quarto da Luiza se transformar num castelo, e ela numa bailarina de plástico.
A bailarina, para ficar de pé, tinha suportes transparentes. Cada um dos suportes permitia um movimento de dança diferente. Ela podia saltar para um dos lados, ou girar em torno de si mesma.
Só achei que num dado momento a Luzia ficou meio triste de ser boneca, de ser o brinquedo e de não poder nem escolher direito que suporte usar.
De toda forma, o castelo era cheio de personagens bem diferentes e com personalidades todas cômicas.

EM DEMOLIÇÃO

todo um bairro indo abaixo.
Tudo ao mesmo tempo, várias casinhas transformadas em nada, terreno amplo e livre para novos prédios.
Parecia, e no sonho comentávamos, o que está acontecendo agora com aquela região perto do largo de Pinheiros e o largo da Batata.

Eu resolvi dar uma volta a pé pelas ruas que estavam vazias, para ver as máquinas e o que sobrou das construções antigas. O trabalho ainda não estava terminado, em alguns casos pedaços das casas sobravam.
Pensei em pedir a quem estava comandando aquilo que pelo menos as fachadas das casas e dos predinhos fossem mantidas, e em cima delas fosse crescendo os novos prédios.

DURANTE O SONHO

eu já comecei a pensar que eu podia escrever sobre ele no blog.

Seguindo uma coisa que o Luís tinha começado a fazer na casa dele (ele estava colocando fotos malucas nos perfis de orkut e facebook dele, que não existem), eu queria fazer fotos dos objetos que eu tenho, dos bonequinhos, elefantes, bichinhos, dos bibelôs. Tudo era super colorido. Mas ao contrário do que eu tenho realmente, eu tinha muitos bonecos de figuras humanas: jogadores de futebol, integrantes de uma banda de rock de sucesso que eu nunca tinha ouvido falar, um caminhoneiro, uma moça do nordeste em cima de um jegue. Era tudo realmente colorido mas chegou a me confundir. Eu comecei a tirar algumas fotos, mas fui interrompida por uma pessoa de uma comunidade negra. Ela acompanhava um grupo de turistas africanos lusófonos. Parecia que estávamos na frente da confeitaria Colombo, no Rio de Janeiro – isso porque ontem eu li o post em que eu falava dela.

Na frente da confeitaria tinha uma sala de cinema antigo, era ao mesmo tempo como se fosse o espaço unibanco daqui da Augusta, três salas com os pôsteres na entrada. Eu queria muito assistir um filme, era quinta e a sexta-feira chegou logo de cara e eu perdi os filmes.

Na sexta, só tinha filme chato em cartaz: algo como um “Halloween 4 – as caveiras pedem fogo”, o cinema cheio de góticos e sósias do Marilyn Manson, gente com unhas compridas e sobretudos pretos. Achei uma chatice.

Resolvi virar uma assombração do cinema. Comecei a voar como um fantasma, com um lençol branco transparente, para assustar. Vi chocolates na bombonière, entrei no banheiro. Depois fiquei me virando de cabeça para baixo e as pernas para o alto de uma fileira para outra, dando risadas bem alto, daquelas do “Thriller”. Talvez as pessoas só tenham pensado que aquilo fazia parte da divulgação do filme.

FILME ATRASADO

era a grande questão de um sonho de segunda pra terça. Fazia já uns dois anos e oito meses que eu tinha alugado um filme na locadora.

A 25a hora, de Spike Lee.
Fui na locadora, que ficava numa daquelas lojas no térreo de prédios como os da avenida Angélica, aqueles prédios antigos, como os do Artacho Jurado. As atendentes não demonstraram nenhuma surpresa em me dizer que a locadora não liga cobrando filmes atrasados, deixam o sócio tranquilo com o filme em casa! Deu uma nota pagar o aluguel do filme.
Mas a grande questão é que de repente o filme se transforma em Matrix Reloaded. Aí eu desencanei, vi que era um sonho e ele virou outra coisa.

Mas há outra grande questão: o 25e hora, nem sei se é esse o filme com o Edward Norton, eu vi no cinema. Filme longo, e os filmes do Spike Lee são longos, é pra se ver no cinema e não em casa. Não me lembro de nada do filme. Ele só voltou à memória porque revirei o fim de semana hds e cds de backup antigos. Esse pôster estava no meio das mensagens porque quando vi o filme falei sobre ele, mas o mistério é que eu não sei o que disse sobre ele.

MOQUECA COM MOLHO SHOYU

pode ser uma maneira de sintetizar rapidamente o gosto do filme “Besouro”. Fui ver hoje de tarde e fiquei surpresa. Pouco sabia, talvez somente que se lutava capoeira como em “O tigre e o dragão”. Ok, ok: eles voam. Mas não só.

Da história não é possível que se pedir maior “fidelidade” ou “autenticidade” na construção que faz do imaginário da cultura negra – o fato de um filme desse existir já é um mérito em si. Achei as imagens bonitas, tudo visualmente muito bem dosado, o roteiro não é bobinho, a trilha comandada por Gil e Nação Zumbi… No mais, os personagens se assemelham ao exu – tentam fugir (mas não conseguem sempre) ao dualismo bom-mal, e voam quando é preciso voar. Adorei.

Além de tudo, o filme me lembrou o sonho que eu tive de um filme que contava uma rebelião de escravos – bem a ver.

PARECE MESMO

que a minha memória é muito fraca.

Conversando com o Luís no telefone, ele começa a falar do começo do namoro. De alguns emails que a gente se escrevia, de coisas que eu tinha escrito. Não lembraria nada disso sozinha, se não fosse ele insistir e sair procurando esses emails, que não devem mais estar comigo, mas perdidos em algum hd que eu não uso mais, assim como alguns trabalhos da faculdade, da mesma época do começo do namoro, em 2003.

desenho_rapido

Ele me mandou esse desenho que eu fiz. Era uns dos que eu fazia naquele tempo. Parece um clima meio Retalhos, que o Luís também terminou de ler dias atrás.

Alguns dos sonhos de hoje:

* O Gustavo não se chamava Gustavo. O nome verdadeiro, dos documentos, era Gott. O pai dele queria dar um nome bem alemão. No sonho não vimos isso, mas ao acordar fui atrás da palavra Gott e vi que signitica Deus em alemão.

* O ortodontista tinha mudado de método e de consultório. Ele tirava as borrachas do meu aparelho muito rapidamente, como se fosse um acrobata ou como um vampiro — haha será coisa que veio de eu ter assistido Crepúsculo ontem na tevê?

* Uns alunos largaram na sala de aula uns livros, me senti responsável em devolvê-los à biblioteca de onde eles tinham tirado. Ficava num centro cultural criacionista, o nome terminava em ista e tinha algo de religioso. Fica criacionista. Como várias ordens religiosas de diversas origens, essa ficava na Liberdade. Era um imenso ex-hospital, com alas numeradas, tipo 2SB-11H, a gente tinha que andar por alas enormes, onde ficavam aparelhos de tevê, lanchonetes, espaços para aulas, a biblioteca era grande e tinha livros que estavam fora de ordem. Tinha algumas histórias em quadrinhos do Astérix. Por Tutatis !

FOMOS VIAJAR

para São Petersburgo, minha vó, minha mãe, minha irmã e eu.

Destino insólito para elas. Pegamos um trem para chegar na cidade. Antes, como fomos parar lá, ou por que, não sei. A paisagem quebrava minhas expectativas, achava que tudo seria muito plano, mas as montanhas eram muitas. Eu via coisas que elas não viam, muitas casinhas que se acumulavam, coloridíssimas, nas montanhas.

Algo como os morros cariocas, mas com um toque de Michel Gondry (ontem vi A natureza quase humana, com certeza é por isso).

nada novo ou difícil de perceber: as semelhanças visuais de Human behaviour e Human nature

Descemos do trem e podíamos ver melhor essas montanhas que se estendiam à nossa frente, em toda parte. As casinhas eram como caixas de fósforo.

Passeamos, deu fome justo quando a gente avistou do outro lado do rio o museu Hermitage. Mas não era o Hermitage, era uma mistura da ópera de Sidney com o museu d’Orsay de Paris – ou o Grand Palais…

Mas antes de entrar no museu a gente precisava comer. E aí veio a questão de não saber falar russo. Eu pensei: vou ter que servir de intérprete para todas elas! Minha mãe disse que ia tentar falar português. Chegamos num mini-mercado e não é que lá as pessoas falavam português? Uma moça que colocava os preços só não queria dar na cara que era brasileira que tinha emigrado para a Rússia.