já tem um lugar especial nas lembranças que ligo às leituras. Juntamente com seu tom ao mesmo tempo único e comum a outros maravilhosos memorialistas (observo uma mesma vista embaçada que se volta ao tempo de criança no campo, o espaço da casa, a réstia de luz que também percorrem a Infância de Graciliano e A idade viril de Leiris, construídos em fragmentos, em pequenos seixos), vivi com ele ou por conta dele uma terrível sensação de desmaio hoje, no ônibus.
Norah falava sobre a cicatriz de seu dedo, perdi a pressão, tive que fechar o livro rapidamente. A tempo consegui me sentar, uma senhora de aparelho dentário me ofereceu água de coco, um moço me deu uma barra de cereais.
O aperto frente à narrativa das feridas de infância, tão presente em outros textos igualmente belos e hipnotizantes, me tocou no corpo dessa vez.
quando li aqui, pensei: preciso ler esse livro. ele chegou quinta passada, abri-o distraidamente e senti: não é um livro para se abrir distraidamente. é para se ler e perder-se nele. daí trabalhei quinta, sexta, pensando que o momento para norah lange se aproximava. e agora há pouco terminei-o: o ar parecia mais raro. obrigada pela dica. gostei muito.